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Bolsonaro critica Globo e governo do Rio após laudo sobre voz de porteiro

Na postagem, Bolsonaro acusa Globo e o governo do Rio de quererem incriminá-lo. (Foto: Sergio Lima/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a engrossar o tom nas críticas à TV Globo e ao governo do Rio de Janeiro, comandado por Wilson Witzel (PSC). Bolsonaro publicou, na manhã desta segunda-feira (12), um vídeo com uma reportagem do Jornal Nacional que destaca a conclusão da perícia da Polícia Civil na investigação do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

Um laudo, divulgado nesta segunda (11), concluiu que a voz do porteiro que efetivamente liberou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz no condomínio Vivendas da Barra, no dia do assassinato, não é a do funcionário que mencionou Jair Bolsonaro aos investigadores da Delegacia de Homicídios (DH).

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“JORNALISMO ENVERGONHADO: a voz, segundo a perícia, também não é a do porteiro. A tentativa de associar Jair Bolsonaro à morte da Marielle, é mais um escândalo da TV Globo, associado ao que há de mais sujo na investigação feita pelo Governo do RJ.”, escreveu o presidente no Twitter.

Em outubro de 2019, o nome de Bolsonaro foi citado pela TV Globo após constar no inquérito que investiga a morte da vereadora carioca. No dia seguinte, Bolsonaro fez uma live exaltada na qual se defendeu da acusação e atacou a emissora com palavrões. Na transmissão em questão, ele acusou também Witzel de ter vazado o processo, que corre em segredo de justiça, à Globo.

“Vocês, TV Globo, o tempo inteiro infernizam a minha vida, p*** […] Agora, Marielle Franco, querem empurrar pra cima de mim? Patifes, canalhas, não vai colar! Não devo nada a ninguém”, disse o presidente visivelmente alterado. “Não tinha motivo nenhum para matar alguém no Rio de Janeiro".

O documento da Polícia Civil, assinado por seis peritos, atestou que o áudio da portaria não sofreu qualquer tipo de edição e que a pessoa que autorizou a entrada de Élcio no condomínio foi o policial reformado Ronnie Lessa. Tanto Élcio quanto Lessa estão presos sob a acusação de terem cometido o crime.

Em depoimento, no ano passado, um dos porteiros disse que Bolsonaro havia liberado a entrada de Élcio no condomínio. Depois, ele voltou atrás. Agora, a perícia no áudio da portaria, iniciada em 13 de janeiro deste ano, confirmou que foi um outro funcionário que interfonou para Lessa, morador do condomínio e vizinho de Bolsonaro. O crime aconteceu em 14 de março de 2018, por volta das 21h15. A gravação foi feita no mesmo dia, às 17h07m42s, portanto, quatro horas antes da execução.

Nos depoimentos que prestou nos dias 7 e 9 de outubro do ano passado, o porteiro pivô do caso relatou que “Seu Jair”, referindo-se a Bolsonaro, havia autorizado a entrada de Élcio no dia do assassinato. Ele também contou à polícia que o ex-PM havia pedido para ir à casa número 58, onde vivia o então deputado federal e atual presidente da República. Bolsonaro, no entanto, se encontrava em Brasília no dia, como mostrou a TV Globo.

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