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Bolsonaro aparece mais do que Lula e Dilma em resoluções do PT

Apoiador do PT entrega uma rosa a um apoiador de Jair Bolsonaro, durante as eleições de 2018. (Foto: Migual Schincariol/AFP via Getty Images)

O nome do presidente Jair Bolsonaro, referências ao seu governo e ao “bolsonarismo” receberam mais destaque do que os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff nas diretrizes e resoluções do Partido dos Trabalhadores para 2020. Bolsonaro e o bolsonarismo são citados 17 vezes, enquanto Lula e Dilma aparecem 12 e 3 vezes, respectivamente.

Elaborado pela Comissão Executiva Nacional do PT e publicado nesta quarta-feira (12) no site do partido, o documento elenca 12 indicações sobre conjuntura política nacional, 7 sobre o tema de luta social e 16 orientações sobre as eleições de 2020.

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O primeiro item geral já traz o nome de Bolsonaro: “o enfrentamento da agenda ultraneoliberal do governo Bolsonaro e seus aliados e das políticas fiscais antipopulares a ela associadas”. Outras referências ao presidente aparecem no termo “bolsonarismo”, usado para nomear práticas e ideologias defendidas pela extrema-direita.

Até no título do documento o presidente é citado primeiro que outros petistas: “Derrotar Bolsonaro e seu governo, defender o povo, a democracia e a soberania, com liberdade plena para Lula”.

Lula é citado pela primeira vez somente no sétimo ponto, e apenas como uma referência histórica de sua vitória nas eleições de 2002. O nome do petista volta depois na décima diretriz citado junto com a Operação Lava Jato e a perseguição acusada pelo partido.

Lula também aparece quando o PT trata sobre as consequências da campanha do “Lula Livre” e reforça a necessidade de manter viva a cruzada: “Mas é importante registrar que Lula está solto, e não livre!”, explicita a Executiva do PT.

Já o nome de Dilma é citado junto com Fernando Haddad, ex-candidato à presidência em 2018, como “lideranças importantes” do partido.

Ministros de Bolsonaro também são lembrados no documento. Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública, é citado como um obstáculo no caminho do partido para tentar retonar ao poder, inclusive destacando “tensões persistentes” nas relações entre Moro e Bolsonaro. Paulo Guedes, da Economia, é pintado como “ministro da destruição”.

ELEIÇÕES 2020

Entre as diretrizes que conduzirão as ações eleitorais do PT para 2020, está a permissão de construção de alianças com partidos como PCdoB, PSOL, PDT, PSB, Rede, PCO e até o nanico UP (Unidade Popular pelo Socialismo), criado oficialmente pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em dezembro de 2019.

As coligações com DEM e PSDB - já concretizadas em eleições anteriores - foram proibidas pelo PT Nacional, que também vetou alianças com partidos “que representam o extremismo de direita”, mas sem citar siglas.

O partido também pede mais atenção aos seus filiados para “manter e consolidar a força política e social que o PT construiu no Nordeste”.

Confira aqui o documento na íntegra.