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Entenda a 'Guerra das Vacinas' entre Bolsonaro e Doria envolvendo a Coronavac

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Foto: AP Foto/Eraldo Peres
Foto: AP Foto/Eraldo Peres

A suspensão do teste clínico da vacina Coronavac pegou o país e o próprio governo de João Doria (PSDB) de surpresa. A gestão do tucano diz não ter sido avisado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fato que piora ainda mais a relação do paulista com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Há tempos, os dois vem travando uma espécie de “guerra das vacinas” atual.

Nesta terça-feira (10), Bolsonaro compartilhou a notícia da suspensão dos testes e afirmou a um apoiador em uma rede social ter “vencido mais uma vez".

"Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha, escreveu o presidente.

Diante do estrago que a pandemia do novo coronavírus causou no Brasil (o país atualmente registra mais de 162 mil mortes, sendo o segundo país mais afetado), a gestão Doria apostou desde o começo na parceria com a chinesa Sinovac, projetando até um cronograma otimista, que contava com aplicação do imunizante em parte da população em dezembro deste ano.

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Nesta segunda-feira (09), antes do anúncio da Anvisa, a gestão Doria havia inaugurado as obras da fábrica de vacinas que produzirá o imunizante chinês, caso sua eficácia seja comprovada, no Brasil a partir de setembro de 2021.

Houve também o anúncio da chegada, no dia 20 de novembro, de 120 mil das 6 milhões de doses prontas importadas da China.

Contudo, ao final do dia, o governo paulista foi surpreendido ao saber pela imprensa que a Anvisa suspendera os testes do imunizante no país.

Doria x Bolsonaro

Aliados na campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro e Doria já se consideram adversários políticos desde o início da pandemia. O presidente tem adotado uma postura negacionista em relação à Covid-19, enquanto o tucano alega basear suas decisões sempre nos posicionamentos de sua equipe médica.

Bolsonaro, que é contra a obrigatoriedade da vacinação, causou uma crise no país ao desautorizar Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, por anunciar um acordo com a gestão Doria para a aquisição do imunizante chinês.

Diante da postura de Bolsonaro, o governo federal afirmou que não iria ajudar financeiramente a vinda da Coronavac ao país. Em uma de suas transmissões semanais, Bolsonaro ironizou o governador paulista ao pedir para que ele achasse outro para “pagar sua vacina". Doria, por sua vez, chegou a dizer que parecia que Bolsonaro torcia contra a vacina.

Além disso, a nova diretoria da Anvisa foi confirmada recentemente pela gestão Bolsonaro, fato que deixou aliados do governo Doria apreensivos diante do anúncio inesperado de suspensão de testes. Além de São Paulo, oito estados estão interessados no imunizante chinês, que está na fase 3 de testes e deve ter sua eficácia confirmada ou não até o final de novembro.

Um eventual sucesso da Coronavac no país seria também uma vitória política para João Doria, visto por Bolsonaro como uma das principais ameaças nas eleições presidenciais de 2022.

Interrupções são de praxe

A Coronavac não é a primeira fase a ter seus testes interrompidos. Esse procedimento é adotado quando um envolvido no estudo clínico passa por um efeito adverso.

Vale ressaltar que o Instituto Butantan fala em morte não ligada à vacina, o que não seria um entrave pra finalização da fase 3 dos testes do imunizante. O laboratório chinês Sinovac reafirmou ter confiança na segurança de sua vacina contra a Covid-19.

A vacina desenvolvida por Oxford teve seus testes interrompidos depois que uma voluntária apresentou sintomas de uma doença neurológica, assim como o imunizante da Johnson & e Johnson também sofreu uma interrupção por uma “doença inexplicada” em um dos participantes.