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Imagem do governo Bolsonaro na gestão da Covid-19 é de “vulnerabilidade”, mostra consultoria

Images projetadas em um prédio contra Jair Bolsonaro durante panelaço em SP. Foto: Miguel Schincariol/Getty Images

No pico de uma das semanas mais tensas para seu governo, com direito a panelaço e pedidos abertos pelo impeachment, a imagem de Jair Bolsonaro ficou negativa na percepção geral de um estudo da consultoria de gestão de imagem e reputação Curado & Associados. O estudo, desenvolvido em parceria com estatísticos da Universidade Federal de São Carlos, tem como base a metodologia iVGR – índice de Valor, Gestão e Relacionamento -- que vai de -5 a +5.

Se recebesse um boletim no último dia 18, quando as panelas tilintavam em alguns bairros das grandes cidades, Bolsonaro seria reprovado com nota -0,53 do índice, o que aponta para um nível de vulnerabilidade. Como comparação, o índice considera uma nota -1 como zona de risco (sucessivamente, -2 é zona de crise; -3, de crise que exige ações emergenciais; -4, de crise de resgate com ação de terceiros; e -5, crise de sobrevivência ameaçada).

O governo com melhor imagem (+5) é considerado referência e modelo.

Se está longe desta nota, a imagem de Bolsonaro ainda não chegou à zona de crise, de acordo com a consultoria. 

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O nível de vulnerabilidade em sua imagem é resultado do impacto das críticas da imprensa à postura “irresponsável” do presidente ao participar das manifestações anti-Congresso e anti-STF de domingo (15), contrariando recomendações de autoridades sanitárias.

A capacidade do presidente em liderar, mobilizar e influenciar foi a principal dimensão da cobertura jornalística dos veículos analisados, concentrando 55% do conteúdo, com desempenho de iVGR -1,47. 

Pegou mal para Bolsonaro a convocação/participação nos protestos (-2,75, um nível de crise de imagem). Já “nota” da comunicação do governo ficou em -1,67.

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Na média, porém, a percepção geral foi minimizada com alguns anúncios ao longo da semana, como a ajuda mensal a trabalhadores informais e a sinalização de apoio a empresas aéreas.

Dos três pilares da imagem, dois apresentaram passivos: valor e gestão, arranhados pela percepção de governo irresponsável, os ricos do Covid-19, as limitações  de atendimento pelo SUS, a contaminação de dois ministros pelo vírus e a demora nas respostas à pandemia.

Já o aspecto relacionamento ficou perto da neutralidade, com a percepção de que as medidas de apoio tornam o governo “cooperativo”. 

No mapa de atributos, o estudo aponta que Bolsonaro é visto como um presidente prudente (30,2%), cooperativo (15,7%) e, ao mesmo tempo, vulnerável (26,3%). 

Hoje, a imagem de presidente incompetente (5,74%) supera a de competente (2,72%). Em conjunto, parte da avaliação (cerca de 6%) atribui ao presidente as características de instável, impulsivo e arrogante.

Para quem quiser acompanhar, o estudo de imagem da gestão do governo na condução da crise do coronavírus será divulgado de segunda à sexta-feira, às 12h, na página da Curado no LinkedIn.

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