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Bolsonaro diz que é a favor de compra de vacinas por empresários: "ajudaria e muito"

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Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Por Lisandra Paraguassu, da Reuters

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou nesta quarta-feira que deu aval para que um grupo de empresários compre, por conta própria, um lote de 33 milhões de doses de vacinas contra Covid-19 da AstraZeneca para vacinar seus funcionários e doar a metade para o governo brasileiro.

A proposta partiu de um grupo de empresários que, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, reuniram-se em teleconferência na segunda-feira para definir quem participaria. O grupo Gerdau e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) estão entre os coordenadores da iniciativa.

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"Eu quero deixar bem claro que o governo federal é favorável a esse grupo de empresários para levar avante a sua proposta para trazer vacina para cá a custo zero para o governo federal para imunizar, então, 33 milhões de pessoas", disse Bolsonaro durante uma conferência para investidores organizada pelo Credit Suisse.

"No que puder essa proposta ir à frente, nós estaremos estimulando, porque com 33 milhões de graça aqui no Brasil para nós ajudaria e muito a economia e aqueles que, por ventura, queiram se vacinar --porque a nossa proposta é voluntariado né-- o façam para ficar livre do vírus."

Entre as condições para que o governo apoie a proposta Bolsonaro cobrou nos empresários que não obriguem os funcionários a serem vacinados.

Segundo o presidente, o governo foi procurado na semana passada pelos empresários com a proposta de comprar as 33 milhões de doses e doar a metade, 16,5 milhões, ao governo. O restante seria usado para vacinar os funcionários das empresas que se dispuserem e entrar no acordo.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também defendeu a proposta afirmando que a ajuda ao governo será bem-vinda e que não se pode considerar a compra uma questão de "furar-fila".

O governo já enviou uma carta à AstraZeneca dando o aval para a negociação. O laboratório, no entanto, tem tido dificuldades de cumprir contratos já assinados. Ainda não conseguiu entregar à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que irá preparar a vacina no Brasil, os lotes de insumos programados para março e avisou a União Europeia que também não conseguirá cumprir os prazos acertados em contrato para entrega aos países europeus.

O governo brasileiro também negocia a compra de mais 10 milhões de doses prontas do instituto indiano Serum, que está produzindo a vacina da AstraZeneca, mas a previsão de entrega é apenas para o final de fevereiro.