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Para quem são as bananas de Jair Bolsonaro após testar negativo para coronavírus?

Bolsonaro manda banana em anúncio do coronavírus. Foto: Reprodução/Facebook

Jair Bolsonaro acaba de anunciar que não está com coronavírus.

O pronunciamento aconteceu por meio das redes sociais com uma foto autoexplicativa: uma banana para seus seguidores.

No post seguinte, escreveu: “Não acredite na mídia fake news! São eles que precisam de vocês!”

O presidente poderia ser menos telegráfico. A banana, então, é para a mídia que noticiou a contaminação de um integrante de seu governo na comitiva para os Estados Unidos? Que noticiou a preocupação do anfitrião, Donald Trump, com o contato? Com a suspeita de que ele pudesse estar infectado?

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Ou seria uma banana para o vírus?

Para seus fãs?

Para seu secretário que não teve a mesma alegria?

Para o Foro de São Paulo?

Para o Leonardo diCaprio?

Para o Brasil?

Enquanto as mensagens do presidente que posa de Johnny Bravo precisam ser decifradas, o país que ele pretende governar se pergunta se está realmente preparado para lidar com um possível surto da doença.

Aulas, encontros, shows, eventos esportivos são cancelados aos montes, e o número de infectados cresce em proporção geométrica, podendo atingir milhares de pessoas em poucos dias.

Haverá leitos para todos?

Qual o procedimento a fazer?

Nos EUA, Bolsonaro desdenhou dos perigos da doença, mas apareceu de máscara em sua live semanal. Estava ao lado de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, um dos poucos adultos na sala que prefere não esmurrar os fatos em nome da guerra cultural -- esta que tem na mídia o inimigo declarado.

Há menos de uma semana, ele insuflava seus apoiadores a encherem as ruas em atos contra o Congresso e o Judiciário e dizia que político que teme mobilização popular não pode ser político. Depois, voltou atrás e pediu para que, em meio ao perigo de transmissão, as pessoas avaliassem a urgência dos atos que ele jura não ter insuflado.

A banana de Bolsonaro é um acinte contra todos os que se preocupam com o avanço do coronavírus ou já foram diagnosticados com a gripe. Como quem diz “eu escapei, você não”.

À boca pequena, há quem tenha compreendido a cena como uma grande trollagem, com fontes internas passando informação falsa para depois desacreditar os trabalhos de apuração (alguns veículos internacionais chegaram a cravar que ele testou positivo). Se a ideia era essa, jornalistas pensarão 200 vezes, a partir de agora, antes de dar crédito, isso sim, para possíveis fontes do Planalto.

A imagem da coisa toda diz mais sobre sua capacidade de liderança do que sobre a doença em si.

O presidente pode ter passado ileso da pandemia, mas deveria buscar tratamento contra outros males. A autossabotagem associada à mania de perseguição talvez seja a maior delas.

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