Mercado fechará em 6 h 17 min

Com Bolsonaro envolto em crises políticas, Brasil atingirá 30 mil mortos pelo novo coronavírus

Foto: REUTERS/Adriano Machado

O Brasil deve ultrapassar oficialmente o número de 30 mil mortos provenientes da pandemia do novo coronavírus nesta terça-feira (02). Diante dessa marca triste, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tem se envolvido em crises políticas, além de não ter definido um nome técnico no Ministério da Saúde, ocupado atualmente pelo general Eduardo Pazuello.

Nos últimos dias, o presidente tem ignorado a pandemia em suas falas públicas. Recentemente, Bolsonaro protagonizou crises políticas ao ser acusado de interferir politicamente na Polícia Federal e assistiu seus apoiadores serem alvos de mandatos de busca e apreensão no contexto do inquérito das fake news.

Leia também

Ao lado de alguns de seus ministros e apoiadores, o presidente também tem subido o tom e criticado abertamente parte do Supremo Tribunal Federal (STF), alimentando uma crise entre Poderes em meio à pandemia.

Outro fato que chama a atenção é que o país, ao mesmo tempo que vê seu número de mortos crescer, assiste também a diversas cidades flexibilizando suas medidas de distanciamento social e reabrindo gradualmente seus centros comerciais.

Nesta terça-feira, a cidade do Rio de Janeiro iniciou o processo de reabertura, mesmo com alto número de óbitos (3.671) e com seu sistema de saúde beirando o colapso. São Paulo, que também iniciou a reabertura de algumas cidades nessa semana, vê Guarulhos, sua segunda maior cidade, atingir os 100% de ocupação dos leitos púbicos de UTI.

No boletim mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (01), o Brasil registrava 29.937 mortes, além de 526.447 casos confirmados de Covid-19.

Com mais de meio milhão de casos, o Brasil é o segundo no ranking mundial da pandemia, atrás somente dos EUA. No número de mortos, o país é quarto, atrás dos EUA, Reino Unido e Itália.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Dança das cadeiras na Saude

Durante a maior crise sanitária dos últimos 100 anos, o Brasil assistiu duas quedas de ministros da Saúde por conflitos com o presidente Jair Bolsonaro.

Luiz Henrique Mandetta, demitido no dia 16 de abril (quando o país registrava 1.952 mortes), não entrou em acordo com o presidente sobre qual diretriz a pasta deveria adotar acerca do isolamento social, medida defendida pela própria OMS (Organização Mundial da Saúde) como eficaz para frear o avanço da pandemia no planeta.

Nelson Teich, sucessor de Mandetta, pediu demissão do governo no dia 15 de maio (quando o país 14.962 mortos), antes mesmo de completar um mês no cargo. Teich e Bolsonaro divergiram sobre a ampliação do uso da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19 no SUS (Sistema Único de Saúde). A substância defendida pelo presidente não tem eficácia comprovada cientificamente.

Depois da queda de Teich, o general Eduardo Pazuello assumiu interinamente o ministério da Saúde e segue até o momento.

Isolamento social

Jair Bolsonaro não deixou claro em nenhum momento qual seria o posicionamento oficial do governo federal sobre as medidas de isolamento social. No início, quando o próprio presidente desdenhou do vírus ao chamá-lo de “gripezinha", Bolsonaro criticou governadores por tomarem medidas mais restritivas em seus estados.

Mesmo quando baixou o tom das críticas, o presidente protagonizou diversos momentos de desobediência ao isolamento social ao causar aglomerações em locais públicos e incentivar atos públicos em Brasília, nos quais Bolsonaro tem cumprimentado apoiadores sem usar máscara e até segurado crianças no colo, sem observar nenhum cuidado sanitário.

Durante vários momentos da crise, Bolsonaro criticou a quarentena pelo país ao alegar que o isolamento social destruiria a economia brasileira. Ele chegou até a acompanhar um grupo de empresários ao STF para promover um diálogo com Dias Toffoli, presidente da Corte, para viabilizar uma reabertura econômica.

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.