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J.P. Morgan eleva projeção para IPCA de 2020 com pressão de alimentos

Arícia Martins
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Em relatório divulgado nesta segunda-feira (5), o banco informa que elevou a projeção para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2020, de 2% para 2,4% A inflação de alimentos ao consumidor deve aumentar cerca de 8% no último quadrimestre, praticamente zerando a defasagem em relação à trajetória dos preços no atacado, na avaliação do J.P. Morgan. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (5), o banco informa que elevou a projeção para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2020, de 2% para 2,4%. Segundo os economistas Vinicius Moreira e Cassiana Fernandez, a pressão maior nas cotações de alimentação no domicílio causou revisões em todas as estimativas de inflação mensal daqui até o fim do ano. Agora, o J.P. estima que o índice oficial vai subir 0,60% em setembro, 0,56% em outubro, 0,21% em novembro e 0,30% em dezembro. O dado do mês passado será divulgado na sexta-feira (9), pelo IBGE. “Temos visto aceleração significativa dos preços de alimentos em levantamentos de alta frequência e índices semanais nos últimos dias, o que acreditamos ser o começo de um acentuado processo de convergência entre os preços agropecuários no atacado e preços de alimentos ao consumidor”, apontam Moreira e Fernandez. Em setembro, estimam os economistas, o IPCA deve mostrar alta de mais de 3,1% na parte de alimentação em casa, com aumento perto de 20% de óleo de soja e arroz e aceleração em outros itens. A inflação de alimentos deve contribuir com três quartos do “índice cheio” do mês, destacam eles. Moreira e Cassiana observam, no entanto, que persiste a avaliação de que o ganho de fôlego dos alimentos não vai resultar em avanço dos núcleos de inflação. De acordo com os economistas, a média dos núcleos deve encerrar 2020 com aumento inferior a 2% (1,7%). “Também acreditamos que essas pressões específicas e de curto prazo não vão contaminar a inflação de 2021”, acrescentam Moreira e Fernandez, que seguem esperando alta de 3,2% para o IPCA no próximo ano. “O maior risco de médio prazo para a inflação está no debate fiscal”, ponderam.