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Jânio Quadros proibiu skate e disse que abuso de crianças era 'impossível de corrigir'

·2 minuto de leitura
TÓQUIO, JAPÃO, 26/07/2021: RAYSSA-LEAL - - A skatista Rayssa Leal, 13, gravou seu nome na história do esporte e dos Jogos Olímpicos nesta segunda-feira (26), com a medalha de prata na categoria street das Olimpíadas de Tóquio-2020. O ouro e o bronze ficaram com as japonesas Momiji Nishiya, 13, e Funa Nakayama, 16. A prova foi realizada no Ariake Urban Sports Park, na capital japonesa, nesta segunda (26). (Foto: Yuri Hiroshi/Agência Enquadrar/Folhapress)
TÓQUIO, JAPÃO, 26/07/2021: RAYSSA-LEAL - - A skatista Rayssa Leal, 13, gravou seu nome na história do esporte e dos Jogos Olímpicos nesta segunda-feira (26), com a medalha de prata na categoria street das Olimpíadas de Tóquio-2020. O ouro e o bronze ficaram com as japonesas Momiji Nishiya, 13, e Funa Nakayama, 16. A prova foi realizada no Ariake Urban Sports Park, na capital japonesa, nesta segunda (26). (Foto: Yuri Hiroshi/Agência Enquadrar/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Assistimos a Rayssa Leal e Kelvin Hoefler ganharem medalhas pelo Brasil nas Olimpíadas por um esporte que já foi proibido em São Paulo.

O que Jânio Quadros, então prefeito da cidade, usou como justificativa para impedir o skate dentro do parque do Ibirapuera 33 anos atrás: ele era uma "séria ameaça contra adultos, senhoras e, sobretudo, crianças, cujo abuso é impossível corrigir". Depois, estendeu a suspensão para toda a cidade.

O comentário sobre as crianças contrasta com a vitória de Rayssa, aos 13 anos, emTóquio, e do pódio dividido com outras duas atletas de 13 e 16 anos.

Outras falas de Jânio dão o tom do tratamento que deu ao skate em São Paulo. Era caso de polícia.

Ex-governador, ex-presidente e de volta à Prefeitura de São Paulo, Jânio maldisse o skate quando proibiu sua circulação no parque, assim como a de bicicletas. O veto foi registrado pelo jornal Folha de S.Paulo, em reportagem do dia 20 de maio de 1988.

Os habitués do Ibirapuera até disseram, na ocasião, que o clima era de "último dia de liberdade" antes do banimento definitivo. "Hoje, não pode andar de skate na rua que a polícia já vem atrás", disse um jovem de 16 anos, que andava em uma pista em São Bernardo, na Grande São Paulo, para o repórter.

A restrição transbordou para outros cantos da capital paulista. Irritado com um protesto de skatistas contra sua decisão, Jânio proibiu a prática em todas as ruas da cidade em junho daquele ano.

Na manifestação, um participante afirmou que os skatistas ficavam "andando na rua entre os carros, correndo inclusive perigo de vida", e reivindicava espaços públicos para deslizar sobre a prancha.

"Meninos brincando com skates, ricos em sua maioria, fizeram ontem, segundo os jornais, uma passeata pelas ruas da cidade. Ao Ibirapuera não chegaram, porque tomariam a lição que o pai não lhes deu", disse Jânio na época. Determinou: quem desrespeitasse seria detido, e quem tivesse menos de 18 anos seria levado para o Juizado de Menores.

O administrador do parque na época, José Joaquim de Calazans, disse ao jornal que acreditava que a interdição do skate no Ibirapuera era "fruto de denúncias de acidentes e atropelamentos feitas diretamente ao prefeito", já que ele mesmo não tinha conhecimento do registro de ocorrências.

Calazans afirmou que nunca foi consultado por Jânio e que não havia qualquer estudo sobre esses casos --mas que lembrava de pelo menos 15 acidentes envolvento bicicletas e skates em um final de semana.

O ato de Jânio durou cerca de seis meses. Como relembrou reportagem da Folha, Luiza Erundina, eleita prefeita de São Paulo, revogou o decreto na primeira semana de 1989 e contribuiu para a popularização do esporte na cidade.

Hoje deputada pelo PSOL, Erundina ficou acordada até tarde para acompanhar a disputa de Kelvin Hoefler no Japão e, na madrugada de domingo, comemorou nas redes sociais a vitória do atleta.

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