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Itaú vai aderir ao Pronampe e à linha com FGI

Talita Moreira

De acordo com o diretor-executivo comercial de varejo do banco, o Itaú está se preparando para começar a liberar os recursos do Pronampe já na semana que vem O Itaú Unibanco vai aderir às duas novas iniciativas do governo para destravar o crédito para empresas: o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), voltado às micro e pequenas, e a linha com garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), para pequenas e médias.

“Esses programas são fundamentais para ajudar a irrigar a economia e apoiar empresas e pessoas físicas em suas necessidades de capital de giro e fluxo de caixa”, afirmou Carlos Vanzo, diretor-executivo comercial de varejo do Itaú, em entrevista a jornalistas.

De acordo com ele, o Itaú está se preparando para começar a liberar os recursos do Pronampe já na semana que vem. No caso do FGI, a regulamentação do programa ainda não foi concluída e a expectativa nos bancos é que fique pronta até o início de julho.

“São bons programas. O governo tem se esforçado enormemente para oferecer apoio às pequenas e médias empresas. A gente vê intenção genuína em ajudar”, acrescentou André Rodrigues, diretor-executivo do banco de varejo do Itaú.

Segundo o executivo, o banco vai apoiar fortemente os programas do governo, com o objetivo de ampliar as possibilidades para os clientes. “Nosso propósito não é competitivo, mas o de fazer o máximo pelos clientes neste momento”, disse.

O Itaú informou ter concedido R$ 1,3 bilhão no programa de crédito à folha de pagamento de pequenas empresas, o que corresponde a 34% do que foi liberado nessa linha até agora.

Banco concede R$ 10,2 bi em crédito novo

O Itaú Unibanco informou que concedeu R$ 43 bilhões em alongamento de dívidas e R$ 10,2 bilhões em crédito novo a pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas desde abril, quando lançou um programa de enfrentamento da crise do novo coronavírus.

No segmento de pessoas físicas, foram prorrogados R$ 30,5 bilhões em contratos e concedidos R$ 5,6 bilhões em recursos novos para 1,8 milhão de clientes. Na área de pessoas jurídicas, foram atendidos 158 mil clientes, com R$ 12,5 bilhões em alongamentos e R$ 4,6 bilhões em oferta de dinheiro novo.

O programa, antecipado pelo Valor, prevê carência de até 120 dias para pessoas físicas e de até 180 dias para pessoa jurídica. Os prazos de pagamento foram ampliados para cinco anos, no caso das pequenas e médias empresas, e para seis anos, no caso de pessoas físicas. Houve flexibilização de garantias em algumas situações.

“É uma combinação de prazos, taxas e garantias que a gente nunca tinha exercitado com tanta profundidade”, afirmou o diretor-executivo do banco de varejo do Itaú, André Rodrigues.

Questionado sobre as queixas de pequenas empresas de que ainda não conseguem tomar crédito, o executivo afirmou que o banco tem flexibilizado as condições, mas acessar esses clientes nem sempre é fácil.

Segundo Carlos Eduardo Peyser, diretor de franquias e de estratégia de pessoa jurídica do Itaú, um dos focos do programa é assessorar os clientes para contratarem os produtos mais adequados. Esse movimento, afirmou, contribui para que essas empresas paguem taxas de juros mais baixas.

Nível de adesão

Até agora, o programa do Itaú mostrou adesão equilibrada entre as regiões do país e a faixa de renda nas operações com pessoas físicas. Funcionários de empresas e autônomos foram os que mais procuraram o banco.

Nas negociações com pessoas jurídicas, a adesão foi maior entre empresas pequenas e médias e no comércio e na indústria.

De acordo com Rodrigues, o banco não estabeleceu uma meta para o programa. “Seria um erro. Tem que ser natural, voluntário”, disse, acrescentando que é possível que os números se multipliquem no segundo semestre.

O diretor disse também que, até agora, os primeiros sinais de inadimplência são positivos. “Não tem sido um ponto de atenção para a gente, ao contrário”, afirmou, citando sinais positivos de recuperação em alguns setores da economia.

O Itaú fez um grande volume de provisões no primeiro trimestre para atravessar a crise e, segundo Rodrigues, até agora esse montante parece adequado. D acordo com ele, o banco não tem planos de fazer demissões durante a crise e também não está no radar acelerar o fechamento de agências.