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Itaú Unibanco desacelera concessões de crédito para conter inadimplência

Itaú Unibanco desacelera concessões de crédito para conter inadimplência

(Texto atualizado com comentários do presidente-executivo e de analistas)

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Itaú Unibanco está desacelerando concessões de crédito, após forte alta liderada por linhas de maior risco no primeiro trimestre incrementarem suas margens, mas também as provisões para perdas esperadas com inadimplência.

"Perspectivas não são boas olhando para frente; a gente tem sido muito proativo na redução e nos ajustes de concessão", disse nesta segunda-feira o presidente-executivo do banco, Milton Maluhy Filho, durante teleconferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre.

Linhas como cartão de crédito (+41,5%), crédito pessoal (+26,8%) e para pequenas e médias empresas (+29%) lideraram a expansão de 13,9% em 12 meses até março da carteira de empréstimos, para 1,03 trilhão de reais, surpreendendo o próprio banco.

Por um lado, essa expansão fez as margens com clientes evoluírem 23,9% ano a ano, para 20 bilhões de reais, refletindo também o efeito da alta do juro sobre os passivos.

Mas por outro, o índice de inadimplência subiu 0,1 ponto percentual na base sequencial e 0,3 ano a ano, a 2,6%, tendência que deve se prolongar ao longo de 2022, segundo Maluhy Filho, e levar o banco a ampliar a provisão para perdas com calotes em 69,5% no comparativo anual.

Esse conjunto levou o Itaú um lucro recorrente de 7,36 bilhões de reais de janeiro a março, 15% maior no comparativo anual, mas em linha com a projeção média de analistas consultados pela Refinitiv, de 7,35 bilhões de reais.

Analistas apontaram que, apesar da piora da qualidade da carteira, o Itaú fez melhor do que os rivais nesse item. Mas o resultado também foi beneficiado por fatores como o crescimento de seguros, que ajudou a receita com serviços da instituição crescer 9,6%, enquanto as despesas administrativas evoluíram 3,8%, em nível bem inferior do que o IPCA no período, de 11,3%.

Eduardo Rosman e equipe, do BTG Pactual, consideraram o resultado em linha com o esperado e mantiveram a ação do banco como uma das preferidas do setor no Brasil. Avaliação similar veio de Jörg Friedemann e equipe, do Citi, que reiteraram recomendação de compra para o papel, apesar do lucro do Itaú ter tido também ajuda de pagamento de menor alíquota de imposto.

Ainda assim, em outro dia de forte volatilidade da bolsa, a ação do Itaú caía 1,5% às 13h10 (horário de Brasília), enquanto o Ibovespa cedia 1%.

No conjunto, o retorno recorrente sobre o patrimônio do Itaú subiu 1,9 ponto percentual, para 20,4%, nível que Maluhy diz que deve se manter nos próximos trimestres. O executivo também reforçou que a política de distribuir 25% do resultado do banco aos acionistas será mantida.

O grupo manteve suas projeções de desempenho para 2022, com Maluhy Filho defendendo que a política de "guidance" deve ser coerente.

O resultado vem após o rival Bradesco ter anunciado semana passada aumento de 4,7% no lucro do trimestre, sobre um ano antes, refletindo maiores receitas com crédito e controle de despesas. O banco também revisou várias de suas premissas de resultados para o ano.

E o Santander Brasil havia anunciado no final de abril lucro trimestral 1,3% maior, mesmo após as provisões para perdas com empréstimos avançarem 45,9% no período.

(Com reportagem adicional de Gabriel Araújo e André Romani, edição Alberto Alerigi Jr.)

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