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Itaú passa a ver dólar e juros mais altos ao fim de 2022 em cenário com menos estímulos nos EUA

·2 minuto de leitura

SÃO PAULO (Reuters) - O Itaú Unibanco elevou as estimativas para o dólar e os juros ao fim de 2022, citando expectativa de retirada de estímulos pelo banco central norte-americano, enquanto aumentou a projeção para a inflação neste ano, incorporando aceleração adicional em bens industriais.

O Itaú passou a ver dólar de 5,00 reais ao fim de 2022, ante projeção anterior de 4,75 reais.

"Com os sinais mais fortes de recuperação global, especialmente nos EUA, devemos começar a observar em 2022 uma mudança na retórica do Fed, passando a sinalizar política monetária mais apertada à frente. Nesse ambiente, a tendência é de apreciação do dólar ante outras moedas, entre elas o real", disse o departamento de pesquisa macroeconômica do Itaú, chefiado por Mario Mesquita, ex-diretor do Banco Central.

"A elevação da taxa Selic, no entanto, compensa pelo menos em parte esse efeito e, por isso, a depreciação do real tende a não ser tão intensa", completou o banco em nota de revisão de cenário.

O Itaú manteve prognóstico de que o dólar fechará este ano a 4,75 reais. A moeda operava em torno de 5,37 reais nesta sexta-feira. O banco privado também deixou inalterado seu cenário para a Selic ao fim de 2021 (3,5%, ante os atuais 2%), mas elevou de 3,5% para 5,0% a expectativa para a taxa básica ao término de 2022.

O movimento da Selic seria influenciado por uma elevação das taxas de juros nos mercados externos. "Com maiores estímulos fiscais e crescimento mais forte nos EUA, o Fed deve começar a normalizar sua política monetária mais cedo, no primeiro trimestre de 2023", disse a equipe de pesquisa macro.

"O real deve voltar a depreciar, em um movimento que, sem aumento adicional de juros no Brasil, seria inconsistente com o cumprimento da meta de inflação."

No mesmo relatório, o Itaú aumentou a 3,8% (de 3,6%) a alta esperada para o IPCA em 2021 --o banco passou, portanto, a ver inflação acima do centro da meta (3,75%).

"Projetamos maior pressão no grupo (de bens industriais) via restrições de oferta no curto prazo. Nosso cenário considera um nível de utilização da capacidade industrial mais alto nos primeiros meses do ano (hiato no mercado de bens fechado) e custos de insumos também pressionados (via preços de metais e câmbio médio mais alto)."

Para 2022, o IPCA esperado foi mantido em 3,3%, com cenário de elevada ociosidade na economia. O banco segue com projeções de que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 4,1% em 2020, com retomada de 4,0% em 2021 e de desaceleração para 2,5% no crescimento em 2022.

(Por José de Castro)