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Itaú lança app de investimentos em nova ofensiva contra corretoras como XP

JÚLIA MOURA
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*ARQUIVO* SÃO PAULO/SP-BRASIL,12/11/14 - Agencia do banco Itau. (Foto: Zanone Fraissat /Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO/SP-BRASIL,12/11/14 - Agencia do banco Itau. (Foto: Zanone Fraissat /Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Itaú Unibanco entrou no mundo de aplicativos de investimento com o íon. A princípio, ele estará disponível apenas para correntistas do banco em novembro, tendo como chaves de acesso as mesmas senhas do app do Itaú. O plano é expandir a plataforma para qualquer cliente ao fim do primeiro semestre de 2021.

"A grande maioria dos clientes preferem um aplicativo separado para investimentos. Querendo ou não, as pessoas já têm um segundo aplicativo da corretora ou do home broker. Investimentos já têm tantas funcionalidades que merecem um app por si só. O cliente já separou o banco de corretora", diz Claudio Sanches, diretor de produtos de investimento e previdência do Itaú.

O movimento foi interpretado como mais uma ofensiva contra a XP, uma vez que o projeto faz parte da estratégia do banco de ganhar terreno no campo das corretoras, que, geralmente, oferecem produtos mais baratos. O íon começou a ser concebido em setembro de 2019 por um time de 11 funcionários. Hoje, são 2.150.

Em junho deste ano, o Itaú veiculou campanha publicitária com críticas ao modelo de corretoras e agentes autônomos, provocando reação por parte da XP, instituição da qual o maior banco privado do país é sócio, ao que o Itaú se defendeu e disse que a corretora também é uma concorrente.

"Desde 2017 temos uma estratégia muito bem definida, com vários pilares. Começou com prateleira, precificação, comunicação e o digital. Essa estratégia surgiu e foi desenhada com base na movimentação de mercado e com o surgimento de vários competidores que trabalham de uma maneira diferente que os bancos trabalhavam no passado", afirma Sanches.

Prateleira é a oferta de produtos financeiros de concorrentes, como um fundo do Bradesco.

O executivo conta que o íon foi concebido com uma metodologia colaborativa semelhante a de startups e é um produto viável mínimo (MVB), ou seja, vai ser lançado em sua versão mais simples, para ser constantemente atualizado.

"Sabemos que vamos ter reclamação, porque há coisas que não estão prontas ainda, mas isso é bom, porque saberemos que aquilo é importante para o cliente", diz o diretor.

O aplicativo foi concebido com foco no público jovem e terá os produtos financeiros dispostos como os filmes e séries da Netflix, em um carrossel horizontal separados por categoria.

Também vai estar disponível um feed de notícias financeiras, como o do Facebook, e uma sessão de stories, com destaques para as notícias que mais se relacionarem à carteira do investidor. Quanto mais ações da Petrobras, mais destaque às novidades da empresa.

Outra inspiração foi o Robinhood, corretora americana online com taxas zero, que atrai jovens por sua identidade visual semelhante a jogos.

No início, o Itaú espera três milhões de downloads de correntistas do banco que são investidores. A migração para o íon, porém, não será necessária. O aplicativo do banco continuará com as mesmas funcionalidades de investimento. A diferença é no detalhe das informações fornecidas sobre cada produto e seu rendimento e as notícias selecionadas.