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Itaú, Fibra e Guide cortam previsão do PIB de 2020 para menos de 2%

Ana Conceição e Thais Carrança

Mudança é atribuída à desaceleração global e o impacto da epidemia de coronavírus Numa nova rodada de revisões, economistas de três instituições divulgaram nesta sexta-feira projeções atualizadas para o PIB de 2020. Os números incorporam uma piora de cenário, em meio à crise de coronavírus, e apontam para um crescimento abaixo de 2% no Brasil.

O Itaú Unibanco estima agora um avanço de 1,8%, ante os 2,2% previstos antes. Segundo a instituição, há sinais de desaceleração maior que a esperada no primeiro trimestre deste ano e o arrefecimento da economia global deve ter efeitos negativos sobre o Brasil.

A economia brasileira deve retomar o processo gradual de aceleração após o primeiro trimestre, diz o banco, impulsionada pelo crédito privado.

Uma desaceleração global mais forte e a interrupção da agenda de reformas no Brasil colocariam risco de baixa nesse cenário, diz o Itaú, que manteve a estimativa de crescimento de 3% no PIB de 2021.

Com o menor crescimento econômico, as estimativas de déficit primário pioraram. O banco espera déficit de 1,1% do PIB (R$ 85 bilhões) em 2020 (ante 1,0% do PIB ou R$ 80 bilhões no cenário anterior) e de 0,6% do PIB (R$ 45 bilhões) em 2021 (ante 0,5% do PIB ou R$ 40 bilhões).

Coronavírus

A nova previsão do Banco Fibra está em linha com a do Itaú Unibanco. A instituição revisou de 2,6% para 1,8% a expectativa para o avanço do PIB neste ano.

“Parcela significativa da revisão deve-se à incorporação ao cenário da esperada desaceleração da economia chinesa e global, por causa do coronavírus”, afirma a instituição em relatório enviado a clientes.

O banco cortou a estimativa para o crescimento da China de 6,0% para 4,5%, e global de 2,5% para 2,1%. Assim, 0,6 ponto percentual do corte de 0,80 ponto no PIB brasileiro decorre do menor crescimento lá fora.

Outra parte da revisão, 0,2 ponto percentual, deve-se ao efeito do carregamento estatístico do PIB do quarto trimestre do ano passado, que cresceu menos que o esperado pelo banco. Ontem, o IBGE informou que o PIB do período cresceu 0,5%, na série com ajuste sazonal.

A estimativa atual ainda incorpora moderada recuperação da atividade econômica no segundo semestre, normalidade no ambiente político e, pelo menos, a continuidade das discussões das reformas para que ocorram votações em 2021.

Por causa do crescimento menor que o inicialmente esperado, o Fibra reduziu a estimativa para o IPCA de 3% para 2,9% em 2020 e passou a estimar cortes na Selic nas próximas três reuniões do comitê, levando a taxa básica de juros a 3,25% ao ano, de atuais 4,25%.

Segundo a Guide Investimentos, os efeitos do coronavírus se darão pelos canais do comércio exterior e pelo efeito direto do vírus localmente. Apesar de reconhecer que a economia fechada limita os impactos no Brasil, a corretora passou a estimar o crescimento em 1,6% neste ano. A projeção anterior era de 2,4%. Para 2021, a corretora projeta uma aceleração, para alta de 2,2%.

“O espectro do coronavírus é uma mudança real no panorama global e pede uma revisão de cenário”, escrevem os economistas João Mauricio Lemos Rosal e Homero Guizzo, em relatório.

Os economistas revisaram também a expectativa para inflação, de 3,4% para 2,9% em 2020, com aceleração para 3,2% em 2021. A Guide também espera agora dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic, para 3,75%.

Rosal e Guizzo não descartam medidas de estímulo para além do corte de juros, como relaxamento das exigências de reservas pelo banco Central, para evitar deterioração das condições de crédito aos tomadores finais.

As três instituições se juntam a outros bancos que já haviam cortado as estimativas para o crescimento da economia neste ano. Goldman Sachs, JP Morgan e Citi Brasil já haviam ajustado a expectativa.