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Itaú fecha acordo de R$1 bi por fatia em ativos de distribuição da Equatorial Energia

Luciano Costa

Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O Itaú Unibanco assinou acordo de investimento com a Equatorial Energia pelo qual passará a ter uma fatia nas operações de distribuição da companhia elétrica no Maranhão e no Pará.

Pelo negócio, a Equatorial colocará toda sua participação em suas distribuidoras no Maranhão (ex-Cemar) e no Pará (Celpa) em uma nova subsidiária, a Equatorial Distribuição.

Já o Itaú irá subscrever e integralizar ações preferenciais a serem emitidas pela Equatorial Distribuição no montante de 1 bilhão de reais, passando a deter 9,9% da empresa, enquanto a Equatorial Energia terá 90,1%.

A Equatorial Distribuição terá 96,5% de participação na Celpa e 65,1% na Equatorial Maranhão, ainda segundo o comunicado.

A Equatorial controla também empresas de distribuição no Piauí e no Alagoas, adquiridas em leilões de privatização realizados pela Eletrobras em 2018, mas elas não entraram na transação com o Itaú Unibanco.

A companhia também tem negócios em transmissão de eletricidade, geração, comercialização e serviços.

As distribuidoras que passam a ter o Itaú como sócio somam mais de 5 milhões de clientes - sendo cerca de 2,4 milhões no Maranhão e 2,6 milhões no Pará, segundo informações do site da Equatorial.

A operação entre a elétrica e o banco acontece em momento agitado na indústria de distribuição de energia no Brasil - empresas como a chinesa State Grid, controladora da CPFL, a italiana Enel e a espanhola Iberdrola têm mostrado apetite por aquisições de ativos no segmento, principalmente por meio de esperadas privatizações de empresas estaduais.

O próprio Itaú Unibanco já realizou um aporte no setor, em acordo anunciado em dezembro passado, que envolveu 600 milhões de reais por fatia de 12,3% na Energisa Participações, da Energisa, que controla diversas distribuidoras.

A Equatorial é uma corporação sem controlador definido, que tem como maiores acionistas Squadra Investimentos, Opportunity, BlackRock e o canadense CPPIB.

Analistas do BTG Pactual avaliaram a fatia adquirida pelo Itaú na ex-Cemar e na Celpa em 1,36 bilhão de reais, mas destacaram que o valor não parece relevante porque a Equatorial tem opção de recomprar as ações no futuro, embora as condições para isso ainda não tenham sido divulgadas.

"Acreditamos que essa transação pode ser vista como semelhante a dívida, e provavelmente possibilitará um custo de financiamento menor para a Equatorial do que as alternativas tradicionais", escreveram em relatório nesta quarta-feira.

DETALHES

Para viabilizar a operação, a Equatorial subscreveu um aumento de capital da Equatorial Distribuição contribuindo com suas ações na Celpa e na distribuidora do Maranhão, além de obrigações referentes a uma emissão de debêntures simples no valor de 1 bilhão de reais cuja emissão foi aprovada pelo conselho da empresa em 21 de outubro.

A transação ainda envolverá a celebração de acordo de acionistas que incluirá a outorga pelo Itaú Unibanco à Equatorial de uma opção de compra da totalidade das ações preferenciais da Equatorial Distribuição.

"A operação contribuirá com o aprimoramento da estrutura societária e da integração operacional das sociedades envolvidas, bem como contribuirá para a melhoria da liquidez financeira do grupo econômico a que pertencem as companhias", afirmou a Equatorial no comunicado.