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Itaú articula setor financeiro por doações para ONGs na Amazônia

SHEYLA SANTOS
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Itaú anunciou nesta quinta-feira (3) que está mobilizando representantes do mercado financeiro no Brasil e no exterior, personalidades e especialistas em meio ambiente para arrecadar recursos para organizações que atuam na Amazônia. O anúncio da iniciativa é feito na mesma semana em que o desmatamento na região avançou 9,5% em um ano, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O banco não trabalha com uma meta de arrecadação para o conjunto dos agentes, mas afirma que está alocando R$ 54 milhões na região. As doações serão arrecadadas até 9 de dezembro, data de encerramento da conferência batizada de Itaú Amazônia. Os bancos Santander e Bradesco também participam da conferência. De acordo com Luciana Nicola, superintendente de sustentabilidade do Itaú Unibanco, é a primeira vez que o banco realiza uma conferência de arrecadação e por essa razão ainda não há meta de doações. "Não criamos expectativa inicial de apoio. A gente tem conversado com os parceiros para que o projeto seja modular pelo que a gente for encontrar de doações. Após a conferência, vamos divulgar os valores captados e quantas árvores serão passíveis de replantio a partir do banco de sementes dos projetos apoiados", afirma. De acordo com ela, os recursos arrecadados até a conferência atenderão aos projetos Rede de Sementes do Xingu e o Instituto Socioambiental. A ação envolverá indígenas, agricultores familiares, moradores urbanos, ribeirinhos e produtores rurais locais. "A questão da preservação e da restauração [na Amazônia] tem que estar associada ao social, à geração de renda. As instituições serão remuneradas", afirma. A ação do Itaú segue um movimento de mobilização do setor privado neste ano em torno de pautas ambientais. Empresas têm se articulado para cobrar respostas ao aumento do desmatamento, problema que vem prejudicando a imagem internacional do Brasil com potencial impacto sobre negócios nacionais. Em julho, os presidentes dos bancos Itaú Unibanco, Bradesco e Santander se reuniram com o vice-presidente Hamilton Mourão e outros representantes do governo para discutir uma agenda conjunta para a Amazônia. Do encontro, resultou uma carta de intenções para que as instituições financeiras apoiem o poder público em iniciativas de estímulo à bioeconomia na região, desenvolvimento de infraestrutura básica para a população local e fomento ao mercado de títulos financeiros verdes. Também em julho, um grupo de empresas de grande porte de diferentes setores se articulou em uma carta aberta para manifestar preocupação com a deterioração da imagem do Brasil no exterior em relação à questão ambiental. Desde então, o grupo se reuniu com autoridades do governo federal, governadores e congressistas para discutir uma agenda ambiental. O aumento do desmatamento tem sido um dos entraves ao avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia. Países como França e Áustria cobram compromissos ambientais mais rígidos para garantir que a produção não tenha origem em cadeias associadas à devastação de biomas. Em junho, um grupo de 29 investidores globais assinou uma carta aberta ao Brasil expressando preocupação sobre a política ambiental no país e sobre os direitos humanos. Juntos, eles têm US$ 3,7 trilhões em ativos administrados ao redor do mundo. "O crescente desmatamento nos últimos anos, combinado com relatos de desmantelamento de políticas ambientais e de direitos humanos e de agências de fiscalização, estão criando incerteza generalizada sobre as condições para investir ou prestar serviços financeiros ao Brasil", escreveu o grupo na ocasião. Na quarta-feira (2), reportagem do jornal Folha de S. Paulo mostrou que uma investigação da ONG britânica Global Witness apontou que JBS, Marfrig e Minerva, os maiores frigoríficos brasileiros e entre os principais do mundo, têm comprado gado ao menos nos últimos três anos de fazendas com desmatamento ilegal no Pará. Os frigoríficos negam irregularidades. Em relação à compra de carnes em áreas desmatadas, o Itaú afirma que os banco estuda formas de atuação e de financiamento da cadeia como um todo. "Hoje a gente não tem ainda ferramentas consolidadas de monitoramento e rastreabilidade para toda essa cadeia. Queremos entender como a gente pode colaborar financiando essa transição", afirma.