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Israel tem 80% do grupo de risco vacinado, mas vê casos graves em jovens crescerem

Anita Efraim
·5 minuto de leitura
Israelis get the Pfizer-BioNtech COVID-19 vaccine at Clalit Health Services, in a gymnasium in the central Israeli city of Hod Hasharon, on February 4, 2021. - Initial data from Israel's coronavirus vaccination campaign shows the Pfizer/BioNTech jab protects against serious illness, but it is not yet clear whether it slows transmissions or spells progress toward achieving herd immunity, experts say. The Jewish state is carrying out what is widely described as the world's fastest vaccination campaign per capita, watched closely by experts worldwide. (Photo by JACK GUEZ / AFP) (Photo by JACK GUEZ/AFP via Getty Images)
Desde 4 de fevereiro, qualquer israelense pode ser vacinado agendando uma hora online (Foto: JACK GUEZ/AFP via Getty Images)

Nas últimas semanas, Israel se tornou um exemplo para o mundo pela rápida vacinação contra o coronavírus no país. Os israelenses são a população com maior índice de imunização de forma proporcional. No entanto, Gabi Barbash, especialista em Saúde Pública do Instituto Weizmann de Ciências, vê o país longe de sair da pandemia.

O Instituto Weizmann é um dos principais institutos multidisciplinares do mundo e, durante a pandemia, se focou em buscar soluções para amenizar os efeitos da covid-19 no país.

Segundo Barbash, o país teve sucesso em vacinar rapidamente parte dos israelenses e já conseguiu imunizar 80% da população de risco, mas enfrenta novos desafios, como por exemplo, a infecção de pessoas jovens. Além disso, ele revela que as autoridades de saúde do país esperavam que os efeitos da vacinação fossem ser percebidos mais rapidamente.

“Nós esperávamos ver um impacto muito maior no número de pessoas doentes. Isso veio mais tarde que o esperado, só na semana passada o número de pacientes em estado grave, entre os primeiros vacinados, com mais de 60 anos. Nós vemos como uma tendência contínua, de essa população estar cada vez menos presente entre os casos severos”, relata.

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É verdade que os casos entre idosos estão caindo, mas eles estão sendo “substituídos” pelos casos graves entre os jovens. Por isso, segundo Barbash, Israel está dedicando esforços para começar a vacinar pessoas com menos de 15 anos no país.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, prometeu que o país seria o primeiro a se livrar inteiramente do coronavírus. Barbash alerta que as falas do primeiro-ministro devem ser colocadas em perspectiva, afinal, Israel viverá mais uma eleição e Bibi Netanyahu é forte candidato à reeleição.

“Tudo que Bibi diz deve ser visto com um olhar voltado para as eleições que acontecerão. Eu acho que parte do que ele diz é para criar uma atmosfera de ‘estamos saindo disso’, mas nós estamos longe de estar fora da pandemia, mesmo com a vacina.”

DIFICULDADES

A vacinação do público mais amplo começou no último dia 4. Qualquer cidadão israelense pode agendar online o horário para receber a vacina da Pfizer. No entanto, a saúde pública está começando a enfrentar o desafio de aplicar o imunizante na parcela de israelenses que não confia na vacina.

“Parte do problema em todo o mundo é a deterioração na confiança do poder público, na elite do poder público e na ciência. Eu acho que em Israel, no geral, confia na ciência, na medicina e na física. No geral, a resposta à vacina foi boa, mas agora chegamos nos 40% da população que ainda quer esperar para se vacinar”, explica.

Na visão de Barbash, as classes sociais mais baixas são as que menos acreditam na vacina, pelo menos em Israel. Nesse grupo estão os ultraortodoxos, árabes e mesmo os judeus mais pobres. Para tentar reverter a situação, o governo agora está indo até essas comunidades, em vez de esperar que eles tenham a iniciativa de irem até postos de vacinação. Além disso, o governo está criando incentivos para que eles aceitem tomar o imunizante.

“Estamos criando incentivos para que essas pessoas se vacinem, como por exemplo deixar com que eles vão aos shoppings, deixar eles viajarem. Estamos construindo isso. E também estamos tentando deixar claro quais as limitações para quem não se vacina, eu não deixaria meus filhos irem a um berçário onde as pessoas não estão vacinadas”, exemplifica.

NÃO É SÓ A VACINA

Barbash acredita que parte dos problemas vividos por Israel durante a pandemia se dão pelo fato de a população, nas palavras dele, indisciplinada. “As pessoas me perguntam: eu fui vacinado, quando eu poderei voltar à minha vida antiga? A vacina não é tudo. Nós ainda não conhecemos a dinâmica de transmissão, não sabemos se a vacina vai evitar apenas casos graves, ou também a transmissão da doença. Não sabemos quais são os efeitos das novas variantes no contágio. Tem muitas perguntas que ainda estão no ar.”

O especialista destaca que a vacina não é o único aspecto que deve ser considerado na prevenção do coronavírus. “O que é importante é ver a prevalência da doença na população. Quantas pessoas estão em estado grave. Isso não depende apenas da vacina, mas do comportamento das pessoas. Estamos usando máscara? Mantendo isolamento social? Nao é só a vacina, depende do nosso comportamento pessoal.”

“O que caracteriza Israel em relação a pandemia do coronavírus é que você não pode lidar com essa crise tão complicada com uma população tão indisciplinada. Essa desvantagem da população também é uma vantagem. Porque nós somos tão indisciplinados, nós também temos inovação, tecnologia. Mas pagamos o preço com o corona pela nova baixa disciplina. Você não pode lidar com a essa situação difícil com nosso comportamento permissivo.”

ACORDO COM A PFIZER

Em Israel, a vacina que está sendo usada para imunizar a população é a da Pfizer em parceria com a BioNTech. O Brasil não aceitou os termos da Pfizer para compra da vacina. A empresa tem uma clausula no contrato em que não se responsabiliza pelos efeitos colaterais da vacina. Na opinião de Barbash, isso não deveria ser um empecilho para aprovar o uso do imunizante.

“Pelo meu conhecimento, aceitar esses termos de não responsabilizar as empresas pelos possíveis efeitos da vacina é algo comum. Nós sabemos que uma entre milhões de pessoas podem ter efeitos da vacinação. Isso é parte das vacinas. Esse termo não é só com a vacina da Pfizer, é com qualquer vacina que chega a Israel. Eu não acho que esse seria um motivo para evitar usar a vacina da Pfizer no Brasil”, afirma.