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Isolamento manteve 14,6 milhões de brasileiros afastados do trabalho, diz IBGE

Por Rodrigo Viga Gaier
Homem caminha por calçada do Rio de Janeiro

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As medidas de isolamento social decretadas por Estados e municípios para tentar conter a disseminação do coronavírus deixaram 14,6 milhões de brasileiros afastados do trabalho, além de forçar outros 8,8 milhões a trabalharem de forma remota, de acordo com pesquisa do IBGE divulgada nesta terça-feira sobre o impacto da pandemia de Covid-19 sobre o mercado de trabalho do país.

De acordo com o levantamento, 84,4 milhões de brasileiros estavam ocupados no mercado brasileiro na semana de 24 a 30 de maio, dos quais 23,4 milhões sofreram impacto direto em suas rotinas de trabalho, seja o afastamento das funções ou o chamado trabalho em "home office".

"O afastado manteve vínculo com o trabalho, mas a pessoa não foi trabalhar por algum motivo, pode ser que o afastado não trabalhou nenhuma hora na semana de referência, pode ser um dono do comércio ou camelô que não pôde abrir o negócio, ou uma doméstica que não podia ir à casa da patroa ou comércio não essencial que não pôde abrir", disse Maria Lucia Vieira, gerente do IBGE.

Segundo o IBGE, na última semana de maio havia 10,9 milhões de pessoas desempregadas no país e 17,7 milhões de pessoas que estão fora da força de trabalho e que gostariam de trabalhar, mas que não procuram emprego seja por causa da pandemia seja por não haver uma ocupação na localidade em que moram.

A demanda por um posto de trabalho no fim do mês de maio alcançou no total 28,6 milhões pessoas, segundo a pesquisa Pnad Covid do IBGE.

“Hoje temos um problema de emprego, e uma política de geração de emprego tem que estar mirando e olhando para essas 28,5 milhões de pessoas”, disse o diretor do IBGE Cimar Azeredo.

“A demanda sobre o mercado de trabalho é de mais de 28 milhões de pessoas, parte tomou providência e parte não fez por causa da pandemia ou porque não tinha emprego no local onde mora”, acrescentou.

A Pnad Covid foi realizada pelo telefone e tem como objetivo avaliar os impactos da Covid-19 sobre o mercado de trabalho. O levantamento não é comparável com a Pnad Contínua, uma vez que a nova pesquisa acompanha os movimentos do mercado semanalmente, enquanto a pesquisa tradicional é um levantamento que trabalha com trimestres móveis.

A taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua apontou que o desemprego voltou a aumentar no Brasil e chegou ao maior nível em um ano no trimestre encerrado em abril, com perdas recordes na ocupação, e o número de desempregados atingindo 12,8 milhões, diante das dispensas provocadas pelas medidas de restrição ao coronavírus.

Com quase 44 mil mortes confirmadas pela Covid-19 e quase 900 mil casos, o Brasil é o segundo país do mundo mais afetado pela doença respiratória provocada pelo novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos.

Diante da situação provocada pela pandemia, o Ministério da Economia passou a projetar contração do PIB em 2020 de 4,7%, no que seria o pior resultado da série história que começou em 1900.