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Irlanda volta a confinar população e Espanha atinge um milhão de casos

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Enfermeiro empurra maca de paciente em hospital de Burgos (Espanha), em 21 de outubro de 2020

Irlanda volta a confinar população e Espanha atinge um milhão de casos

Enfermeiro empurra maca de paciente em hospital de Burgos (Espanha), em 21 de outubro de 2020

A Irlanda se tornou, nesta quarta-feira (21), o primeiro país da Europa a reconfinar toda sua população, no momento em que o continente, atingido pela segunda onda da pandemia, aumenta as restrições para conter a disseminação do vírus da covid-19, que já infectou um milhão de pessoas na Espanha.

Na esperança de "celebrar o Natal de maneira adequada", nas palavras do primeiro-ministro Micheal Martin, os irlandeses deverão permanecer em casa por seis semanas a partir da meia-noite (20h00 de Brasília), mas as escolas permanecerão abertas.

Na Espanha, o ministério da Saúde notificou 16.973 casos nas últimas 24 horas, elevando o total para 1.005.295 desde o primeiro caso diagnosticado em 31 de janeiro na ilha de La Gomera, no arquipélago das Canárias.

A Espanha, com 47 milhões de habitantes e mais de 34.000 mortes causadas pela pandemia, é o sexto país do mundo a superar a barreira de um milhão de casos. Os outros cinco são Estados Unidos, Índia, Brasil, Rússia e Argentina, de acordo com uma contagem da AFP baseada em números oficiais.

No Reino Unido, o País de Gales (três milhões de habitantes) estará sujeito, a partir de sexta-feira, a um confinamento de duas semanas, a medida mais dura introduzida no país desde a primeira onda da doença na primavera boreal (outono no Brasil).

Na Irlanda e no País de Gales, estabelecimentos comerciais não essenciais serão fechados. Além disso, os irlandeses poderão deixar suas casas apenas para se exercitar em um raio de cinco quilômetros de sua residência, sob pena de multas.

Na Inglaterra, reuniões de mais de seis pessoas já foram proibidas, e 28 milhões de pessoas, ou metade da população, incluindo Londres, estão sujeitas a medidas ainda mais rígidas.

Na terça-feira, Manchester, uma cidade de 2,8 milhões de habitantes no noroeste da Inglaterra, foi colocada em nível de alerta máximo. A medida significa o fechamento de bares e "pubs" que não servem comida e a proibição de reuniões com pessoas de casas diferentes. Yorkshire sofrerá o mesmo destino no sábado.

- "Números sobem rápido demais" -

Os sinais também são vermelhos na Itália, onde duas regiões, a rica Lombardia - a região de Milão, ao norte - e a Campânia - a de Nápoles, ao sul - estabelecerão toque de recolher, a partir de quinta-feira das 23h às 5h durante três semanas, para a primeira, e a partir de sexta-feira, para a segunda. 

Primeiro país da Europa atingido pela pandemia na primavera (outono no Brasil), a Itália registra desde a última sexta-feira um aumento acentuado no número de contágios, com mais de 10.000 por dia. A Lombardia, seu coração econômico, é, mais uma vez, a mais afetada.

A situação é ainda pior na França, que na terça-feira registrou 163 novas mortes e mais de 20 mil novos casos. "Os números sobem muito rapidamente, rápido demais", declarou a Agência de Saúde da região de Paris.

As grandes metrópoles, incluindo Paris, ou seja, 20 milhões de pessoas, estão sujeitas a um toque de recolher das 21h às 6h desde o último fim de semana.

O toque de recolher também entrou em vigor na Eslovênia, na terça-feira: seus dois milhões de habitantes não poderão sair entre 21h e 6h.

Na República Tcheca, o governo anunciou nesta quarta um confinamento parcial: restrição de deslocamento, exceto para trabalho, compras e visitas médicas, fechamento de lojas e serviços.

Na Espanha, a cidade de Burgos, ao norte, juntou-se à lista crescente de municípios parcialmente isolados. Navarra terá o mesmo destino a partir de quinta-feira.

- Sinovac no Brasil -

A pandemia já matou pelo menos 1.126.465 pessoas em todo mundo desde o final de dezembro, incluindo mais de 254.300 na Europa, de acordo com um balanço estabelecido pela AFP nesta quarta-feira.

Mais de 40.856.210 casos de infecção foram diagnosticados. 

Os Estados Unidos são o país mais afetado, tanto em mortes quanto em casos, com pelo menos 221.083 óbitos.

No Brasil, especialmente atingido pela pandemia com quase 155 mil mortes e 5,2 milhões de casos, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira que ordenou o cancelamento do acordo anunciado na terça pelo Ministério da Saúde para a compra de milhões de doses da vacina chinesa CoronaVac.

O ministério explicou em nota que as palavras do titular da pasta, Eduardo Pazuello, na terça-feira sobre um acordo com o estado de São Paulo foram "mal interpretadas", especificando que não havia "compromisso" firme de adquirir vacinas, mas apenas um "protocolo de intenção".

Quanto a uma vacina, pesquisadores britânicos disseram na terça-feira que planejavam infectar voluntários com idade entre 18 e 30 anos com o novo coronavírus para avançar na pesquisa como parte de um estudo da Imperial College de Londres.

Mais cedo, o governo anunciou que vai adotar a vacina Sinovac, já testada em milhares de voluntários no país onde está em fase final de testes. As 46 milhões de doses previstas deverão ser administradas a partir de janeiro.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, garantiu na terça-feira que uma campanha de vacinação em massa terá início em seu país entre dezembro e janeiro, graças às vacinas fornecidas por Rússia e China.

Os testes da vacina russa "Sputnik V" devem começar no final de outubro com 2.000 voluntários venezuelanos, incluindo o filho do presidente, Nicolás Maduro Guerra. 

No México, serão suspensas as festividades religiosas da Virgem de Guadalupe, padroeira do país. Realizada em dezembro, a celebração reúne milhões de fiéis dentro e ao redor da basílica construída em sua homenagem.

Em Hong Kong, a companhia aérea Cathay Pacific, devastada pelo colapso histórico do tráfego devido à pandemia, reduzirá sua força de trabalho em um quarto, ou 8.500 empregos perdidos.

A covid-19 também está acelerando a conversão digital do mundo do trabalho, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, que prevê que quase 50% dos trabalhadores que manterão seus empregos nos próximos cinco anos terão necessidade de uma conversão.

bur-mba/sg/mr/tt