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IRB admite que base do relatório da Squadra foi 'fantástica'

Ana Paula Ragazzi

Esta é a primeira vez que a empresa fala abertamente sobre a gestora carioca ao mercado Antonio Cassio dos Santos, presidente interino e presidente do conselho de administração do IRB, abriu teleconferência com a imprensa nesta terça-feira afirmando, sobre as demonstrações financeiras revisadas da empresa, que “não existe forma certa de fazer a coisa errada”.

Reprodução internet

“O momento é de reflexão para empresários cuja contabilidade é baseada em provisões. Numa resseguradora, 80% da contabilidade é baseada em expectativas”, afirmou o executivo, fazendo referência às irregularidades no tratamento de dados da empresa, em particular no lançamento de provisões e de sinistros, feitas por ex-diretores e colaboradores e identificadas pela nova gestão.

Cassio disse ter aprendido algo novo. “No futuro, quando eu estiver falando para alunos ou clientes, vou explicar o que batizei de ‘Squadra effect’: você pode enganar muitos por muito tempo, mas não pode enganar todos por todo tempo”, disse o executivo. “Uma ou outra coisa do relatório da Squadra está mais à direita ou à esquerda, mas a base do trabalho que o analista da Squadra fez foi fantástico”, afirmou Cassio.

Os problemas no IRB começaram em fevereiro deste ano, quando a gestora carioca Squadra, em extenso relatório, questionou a recorrência dos resultados do ressegurador e a qualidade de suas provisões. Na primeira vez que fala abertamente sobre a gestora ao mercado, o IRB dá razão, em grande medida, à Squadra.

Cassio destacou que o trabalho de análise dos números da companhia foi feito “sem pressa e sem pausa”, de maneira criteriosa. A empresa identificou os responsáveis pelas irregularidades encontradas nas demonstrações financeiras, encaminhou as informações ao Ministério Público, Susep e CVM e quando esses órgãos tomarem providências, os nomes dos envolvidos virão a público.

Cassio disse ainda que o episódio envolvendo o IRB vem das “coisas turvas da alma humana”, que colocam em risco qualquer plano que possa parecer bem feito. “Para enfrentar isso, existem as atividades de controle e de repressão”, afirmou o executivo. A companhia buscará ressarcimento dos envolvidos.

Trabalho de análise foi profundo

Werner Suffert, vice-presidente financeiro do IRB, afirmou que o trabalho de análise dos números passados da empresa foi profundo, apoiado por uma consultoria forense e pela auditoria.

“O que foi encontrado está 100% refletido nas demonstrações apresentadas. Se aparecer algo novo, será apresentado na hora, mas não temos nenhum sinalização de que haverá outras questões do porte dessas”, afirmou Suffert, ressaltando que nenhuma empresa possui “risco zero” de encontrar eventuais erros, mas “garantindo” que o “nível de controle foi muito grande”.

Cassio afirmou ainda que a empresa é “robusta e solvente” e que teve uma redução de rating recentemente por aspectos de governança, não de solvência. “Essa mesma solvência é o principal argumento nas conversas que tive com parceiros e clientes desde que foi anunciada a fiscalização especial da Susep”, disse.

Cassio reforçou que a empresa não tem problema de caixa operacional nem de hedge do balanço. “Renovamos todos os contratos com cedentes no primeiro trimestre. Daqui para a frente, teremos um trabalho de revisão de portfólio. Faremos profunda reavaliação de portfólio, de linhas e de negócios. A empresa existe para ter bons riscos, com boas perspectivas, que possam ser traduzidos em bons resultados”, afirmou Cassio.

O executivo afirmou ainda que, no episódio envolvendo as irregularidades do balanço, conselho, empresa e auditorias foram vítimas. “Diante de processo sistêmico, de erros sistêmicos, feitos pelas mesmas pessoas, de maneira recorrente por longo tempo, nós todos somos vítimas”, afirmou. “Nossa relação com a auditoria é de confiança, no mais alto nível”, afirmou.