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Irã mantém voz própria na Opep, apesar da queda em sua produção

Por Benoît PELEGRIN
O Irã, alvo de sanções americanas que o impedem de vender seu petróleo ao exterior, mantém voz própria na Opep

O Irã, punido pelas sanções aplicadas pelos Estados Unidos, que o impedem de vender seu petróleo no exterior e afetado por uma onda de protestos populares, mantém voz própria na Opep, apesar do declínio em sua produção de óleo bruto.

De acordo com o último relatório mensal publicado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em novembro, o Irã produziu 2,192 milhões de barris por dia (mbd) no terceiro trimestre de 2019, uma queda de mais de 40% em relação ao seu nível de produção de 2017.

Esta queda, de cerca de 1,6 mbd, é maior que o corte de produção desde dezembro de 2018 dos países da Opep e de seus parceiros para apoiar o aumento dos preços do petróleo.

O Irã estava isento deste acordo, que poderia ser renovado na quinta e na sexta-feira nas reuniões do cartel e de seus parceiros de petróleo em Viena (a chamada OPEP+, que inclui a Rússia).

"O Irã considera esta situação uma injustiça porque os [outros] membros da Opep aproveitam a queda no suprimento de petróleo iraniano a seu favor, disse à AFP Bjarne Schieldrop, analista do grupo de serviços financeiros do SEB.

Com uma demanda ociosa, será difícil para o Irã retornar à sua produção anterior sem afetar negativamente os preços.

O Iraque, seu vizinho e rival, já está aproveitando a crise de produção iraniana para recuperar parte de seu mercado, excedendo as cotas de produção estabelecidas pela Opep, um cartel liderado de fato pela Arábia Saudita.

Se não houvesse sanções americanas, "os preços seriam muito baixos" para a abundante oferta global de petróleo e para o freio ao crescimento mundial, ressalta Schieldrop.

- O peso do Irã -

Apesar de tudo isso, o Irã mantém sua legitimidade na Opep como um dos membros fundadores do grupo.

Ele demonstrou isso na última cúpula em Viena, em julho, quando o ministro do petróleo do Irã, Bijan Namdar Zanganeh, denunciou a "natureza unilateral" do acordo para limitar sua produção, uma crítica indireta à Rússia e à Arábia Saudita.

A rivalidade entre a Arábia Saudita e o Irã entrou em uma nova fase nos últimos meses, com ataques a navios petroleiros e incidentes marítimos, bem como um ataque de drones às instalações de petróleo sauditas atribuídas ao Irã.

No entanto, o Irã deve apoiar a Arábia Saudita nas reuniões de quinta e sexta-feira para buscar um consenso sobre a manutenção ou não de cortes na produção.

Enquanto isso, o Irã continua a sofrer pressão dos Estados Unidos.

Desde que Washington se retirou em maio de 2018 do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, o governo Donald Trump exerce "pressão extremamente forte" contra o Irã, acusando-o de querer obter armas nucleares e ter uma influência "desestabilizadora" na região, segundo Tamas Varga, analista do PVM.

Por seu lado, Teerã acusa os americanos de uma "conspiração" contra os iranianos, depois de vários dias de manifestações e incidentes iniciados em 15 de novembro pela decisão do governo de aumentar o preço da gasolina em um país que se encontram em uma crise econômica.