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Irã ativa novas centrífugas de enriquecimento de urânio

Marc JOURDIER
·2 minuto de leitura
(Arquivo) Inspetor da AIEA no complexo nuclear de Natanz (Irã), em 2014

O Irã anunciou neste sábado (10) a ativação de novos conjuntos de modernas centrífugas que permitirão enriquecer mais rapidamente o urânio, cujo uso está proibido pelo acordo internacional sobre seu programa nuclear alcançado em 2015.

Os anúncios coincidem com as negociações em Viena entre Irã e os outros Estados que fazem parte do acordo de 2015 - China, França, Alemanha, Reino Unido e Rússia - sobre como reintegrar os Estados Unidos no pacto.

Na sexta-feira, um funcionário americano que não quis se identificar disse que Washington fez propostas "muito sérias" ao Irã de forma indireta para reativar o acordo e que espera certa "reciprocidade".

No entanto, as medidas anunciadas com grande alarde neste sábado pelo Executivo iraniano não parecem seguir esta direção.

O presidente Hasan Rohani inaugurou oficialmente um conjunto de 164 centrífugas do tipo IR-6 e de 30 IR-5 instaladas no complexo de Natanz (centro), em uma cerimônia telemática transmitida pela televisão estatal.

"Por favor, iniciem a operação de alimentação de gás [de urânio] da [cascata] de centrífugas de nova geração no complexo de enriquecimento de Natanz", disse o presidente.

A televisão não transmitiu imagens das cascatas (conjuntos interconectados) de centrífugas, mas engenheiros confirmaram a iniciação do serviço.

Rohani também inaugurou à distância uma fábrica de construção de centrífugas, para substituir uma fábrica que ficou muito danificada em julho de 2020 após uma explosão "terrorista".

O acordo de Viena de 2015 está paralisado desde que os Estados Unidos o abandonaram unilateralmente em 2018, durante o mandato do presidente Donald Trump, restabelecendo sanções econômicas e financeiras contra o Irã.

Como represália, Teerã começou a violar seus compromissos a partir de maio de 2019, e o ritmo se acelerou nos últimos meses.

O novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse estar disposto a retornar ao acordo, o que implica levantar as sanções após as negociações.

O Irã, por sua vez, disse estar disposto a voltar ao cumprimento pleno do texto, desde que os Estados Unidos levantem primeiro todas as sanções que voltaram a impor contra o país desde 2018.

Até o momento, o Irã se recusa a negociar diretamente com os Estados Unidos.

As centrífugas IR-5 e IR-6 permitem enriquecer urânio mais rapidamente e em maior quantidade do que as centrífugas IR-1 de "primeira geração", as únicas que o acordo de Viena permite que o Irã use.

Rohani reiterou na cerimônia com motivo do Dia Nacional da Tecnologia Nuclear que o programa nuclear de seu país é puramente "pacífico".

Até agora, as negociações mantidas nesta semana em Viena entre Irã e seus sócios para reativar o acordo foram classificadas como "produtivas" pela União Europeia, que coordena as discussões.

ap-mj/mdz/bl-pc/tjc/aa