Mercado fechado
  • BOVESPA

    111.496,21
    -2.316,66 (-2,04%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    48.463,26
    -266,54 (-0,55%)
     
  • PETROLEO CRU

    89,91
    -0,59 (-0,65%)
     
  • OURO

    1.760,30
    -10,90 (-0,62%)
     
  • BTC-USD

    20.987,14
    -2.273,22 (-9,77%)
     
  • CMC Crypto 200

    504,88
    -36,72 (-6,78%)
     
  • S&P500

    4.228,48
    -55,26 (-1,29%)
     
  • DOW JONES

    33.706,74
    -292,30 (-0,86%)
     
  • FTSE

    7.550,37
    +8,52 (+0,11%)
     
  • HANG SENG

    19.773,03
    +9,12 (+0,05%)
     
  • NIKKEI

    28.930,33
    -11,81 (-0,04%)
     
  • NASDAQ

    13.250,00
    -273,25 (-2,02%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,1885
    -0,0253 (-0,49%)
     

IPVA de carro usado mais velho tem alta maior em 2022; veja comparação

·5 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019 - Still de mão segurando cédulas de real, moeda oficial brasileira. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019 - Still de mão segurando cédulas de real, moeda oficial brasileira. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dono de um Hyundai Creta 2017, o psicólogo João de Brito Marques Filho, 67, vai pagar R$ 2.800 de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) neste ano, quase 22% acima dos R$ 2.300 pagos no ano passado.

"O preço da gasolina está fora do normal e, agora, esse aumento no imposto. Estou realmente indignado", afirma.

Em meio a um cenário de escassez de veículos novos e de seminovos com preços inacessíveis à maioria da população, os carros usados --como são classificados os modelos com quatro anos ou mais de uso-- foram os mais valorizados em 2021. Consequentemente, tiveram os maiores aumentos do imposto.

Os preços dos modelos entre 2011 e 2017 subiram mais de 21%, em média, segundo levantamento da consultoria Cox Automotive com base nos dados da plataforma de avaliações KBB (Kelley Blue Book).

Seminovos (2018 a 2021) subiram 15%, enquanto os modelos de 2019 a 2022 que saíram das lojas ainda zero-quilômetro tiveram valorização de 8,29%.

As alíquotas do IPVA são aplicadas sobre o valor médio de venda. Em São Paulo, o cálculo feito sobre a estimativa da pesquisa realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) resultou em uma elevação média de 21,99% para os automóveis.

O aumento é maior do que o rendimento de alguns dos melhores investimentos de 2021. A Nasdaq, a Bolsa americana que reúne empresas de tecnologia, subiu 21,39%, por exemplo.

A pandemia de Covid-19 é uma das explicações do problema. As paralisações adotadas para enfrentar o vírus e as mudanças de hábitos de consumo levaram a uma série de disrupções e distorções nas cadeias produtivas globais, com destaque para o fornecimento de semicondutores.

"A transformação de processos analógicos em digitais ocorre em diversas áreas. O setor automotivo vem passando por uma grande transformação, que é o o aumento da conectividade dos veículos, e isso demanda semicondutores", diz Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos automotivos da FGV.

Se por um lado faltaram carros zero-quilômetro, por outro, os modelos novos e seminovos disponíveis no mercado eram inacessíveis a uma população empobrecida durante a crise aprofundada pela pandemia, segundo Martins.

"A procura por carros mais antigos é também resultado da perda de poder aquisitivo da sociedade", afirma. "A pandemia faz com que ocorra a perda do poder de compra e, para não pagar preços exorbitantes, o consumidor buscou os carros com menor preço", diz.

Relatório da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), que representa lojistas de seminovos e usados, apontou 15,1 milhões de carros comercializados em 2021. O resultado é 17,8% superior ao verificado em 2020.

Em relação a 2019, ano sem pandemia, as vendas do setor cresceram 3,5%.

Apesar do aquecimento do mercado, desequilíbrios na oferta também são prejudiciais ao setor, afirma o vice-presidente da Fenauto, José Everton Fernandes.

"O desequilíbrio não é bom para quem vende, nem para quem compra. As revendas têm muita dificuldade para repor estoques e pagam caro por essa reposição, reduzindo suas margens de lucro", diz.

A expectativa de normalização do mercado, porém, não deve surtir efeito sobre o IPVA do ano que vem, alerta Fernandes. Isso porque o imposto é calculado sobre o valor médio praticado pelo mercado no primeiro semestre. "Existe o risco do veículo perder valor no segundo semestre", diz.

Martins, da FGV, destaca ainda que a demanda por semicondutores continuará em alta em diversos setores da economia, que avançam na digitalização, o que deve seguir afetando a oferta de carros.

"A expansão da capacidade produtiva de fabricantes de chips e semicondutores não acontece da noite para o dia porque demanda máquinas produzidas sob encomenda. Isso não está na prateleira de nenhum fabricante", diz. "Os problemas da falta de semicondutores deverão se estender até o fim de 2022 e, também, 2023".

Para o servidor público Cláudio Romano, 55, que não pretende vender o seu Honda Fit 2014, a manutenção da valorização na casa dos 30% do veículo neste ano significa um aumento das despesas incompatível com seu orçamento doméstico. "O valor de venda subiu de R$ 36 mil para quase R$ 50 mil, o imposto é de R$ 2.000", diz. "Faltou sensibilidade do governo [do Estado de São Paulo] para fazer a mudança temporária desse índice."

Procurada, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo informou que as alíquotas do imposto para veículos particulares permanecem as mesmas: 4% para carros de passeio; 2% para motocicletas e similares, caminhonetes cabine simples, micro-ônibus, ônibus e maquinário pesado; além de 1,5% para caminhões.

Para amenizar os efeitos da desorganização da economia sobre os preços, o governo paulista informou que estendeu o prazo de pagamento do IPVA, de três para cinco parcelas, começando em fevereiro.

Proprietários de veículos usados que quitarem o imposto antecipadamente, em cota única, em janeiro, terão desconto de 9%. Para os que pagarem o tributo integralmente em fevereiro, ou preferirem parcelar, a redução será de 5%.

Para os donos de veículos zero-quilômetro, vale o sistema antigo. "O desconto continua de 3% no pagamento até o quinto dia da emissão da nota fiscal, e os que preferirem também poderão parcelar em cinco vezes, sem desconto", informou a secretaria.

*

ANO DO MODELO - VARIAÇÃO EM 2021*

ZERO KM - 8,29%

2022 - 16,87%

2021 - 6,52%

2020 - 2,99%

2019 - 3,48%

SEMINOVOS - 15,07%

2021 - 11,78%

2020 - 11,83%

2019 - 17,07%

2018 - 19,64%

USADOS - 21,01%

2017 - 20,23%

2016 - 18,20%

2015 - 20,70%

2014 - 20,46%

2013 - 22,12%

2012 - 21,69%

2011 - 22,91%

Fonte: Cox Automotive/KBB

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos