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iPhone de 2022 deve estrear processador de 4 nm

Rubens Eishima
·4 minuto de leitura

A consultoria TrendForce divulgou seu balanço para o setor de foundries com perspectivas otimistas para 2021. O mercado de fabricação terceirizada de semicondutores é dominado pelas asiáticas TSMC e Samsung, que produzem chips para empresas como Qualcomm, AMD, MediaTek e Apple. No caso da fabricante do iPhone, a consultoria prevê que a linha 2021 deve seguir com CPUs de 5 nm, com chips 4 nm estreando já em 2022.

No linguajar das fabricantes, quanto menor o número do processo de fabricação, mais moderna é a tecnologia empregada — o número não tem relação com medidas em nanômetros, ao contrário do que pensa a maioria das pessoas. Atualmente, o processo mais avançado em uso em grande escala é o de 5 nm (ou N5, para a TSMC), estreado pelo processador Apple A14.

Com a proibição das encomendas da Huawei com a TSMC e outras foundries, o Kirin 9000 (segundo processador anunciado com a litografia) foi descontinuado, o que levou a TrendForce a apontar a Apple como única cliente atual da fabricante taiwanesa no processo de 5 nm. Além do A14, o chip M1 dos novos MacBooks também usam a tecnologia. Recentemente, porém, a Marvell (fabricante especializada em controladoras de redes, não o estúdio de quadrinhos e filmes) anunciou um processador com a mesma litografia.

Processador Apple M1 usado nos novos MacBook Pro, Air e MacMini é fabricado pela taiwanesa TSMC (Imagem: divulgação/Apple)
Processador Apple M1 usado nos novos MacBook Pro, Air e MacMini é fabricado pela taiwanesa TSMC (Imagem: divulgação/Apple)

“4 nm”

Depois da linha iPhone 12 estrear a fabricação TSMC N5, a atualização dos smartphones da Apple para 2021 deve trazer um novo avanço, mas não tão destacado como o de 2020. Segundo a TrendForce, o provável chip A15 deve ser fabricado no processo N5P, previsto para entrar em operação neste final de ano.

A nova tecnologia (também conhecida como 5 nm+) é uma evolução do N5, com melhorias tanto no consumo de energia quanto no desempenho oferecido.

O próximo salto deve acontecer mesmo com o processo de 3 nm (ou N3) mas, antes disso, a tecnologia atual terá uma nova evolução, conhecida como 4 nm. Apesar da numeração menor, a litografia N4 é um passo intermediário para a próxima geração, conhecido entre as fabricantes como “half-node” — um exemplo recente é o da tecnologia de 6 nm, que é compatível com projetos para 7 nm, mas apresenta melhorias de eficiência.

O processador Apple A16 é cotado para estrear a tecnologia de 4 nm, o que deve acontecer apenas em 2022, mantida a cadência anual de novos chips da Apple.

Segue o líder

Com a Qualcomm cotada para encomendar seu próximo processador Snapdragon 875 com a Samsung Foundry, quem deve disputar espaço nas linhas de fabricação de 5 nm da TSMC é a AMD. A empresa atualmente produz as CPUs Ryzen, GPUs Radeon 6000 e os processadores do PlayStation 5 e Xbox Series X|S com a tecnologia N7, mas já anunciou que sua próxima geração de CPUs Ryzen migrará para 5 nm com a arquitetura Zen 4.

A TrendForce estima que a taxa de utilização das linhas N5 da TSMC será de aproximadamente 90% no segundo semestre de 2020, mesmo com a saída da Huawei/HiSilicon. A demanda pela nova tecnologia deve seguir aquecida no próximo ano, o que deve levar os taiwaneses a expandir sua capacidade de produção.

Estimativas de mercado para o processo de 5 nm (Imagem: divulgação/TrendForce)
Estimativas de mercado para o processo de 5 nm (Imagem: divulgação/TrendForce)

Ao mesmo tempo, a Samsung Foundry deve acompanhar a rival. Os sul-coreanos recentemente anunciaram o primeiro produto com a litografia de 5nm, o Exynos 1080. Para 2021, são esperadas das fábricas da Samsung novas gerações dos chips Exynos e Snapdragon, além das GPUs GeForce (e suas versões para datacenters).

Mesmo com tantos clientes de ponta, a Samsung Foundry deve seguir atrás da TSMC em termos de volume de produção. A TrendForce prevê que a diferença será de aproximadamente 20% no próximo ano.

A consultoria acredita que até mesmo a poderosa Intel irá contratar os serviços da TSMC para a fabricação de CPUs a partir de 2022, o que tem o potencial de provocar gargalos nas linhas de produção da taiwanesa. Apesar disso, a Intel ainda não confirmou publicamente os planos de terceirização de suas CPUs, o que já fez para os novos chips gráficos Xe.

Fonte: Canaltech

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