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Ipespe: Aprovação de Bolsonaro para de cair após concessão de auxílio emergencial

Cristian Klein

Variação ocorre na margem de erro, mas levantamento é o segundo na mesma direção Uma nova pesquisa encomendada pela XP Investimentos ao Ipespe confirma que a avaliação do governo de Jair Bolsonaro deixou de piorar no último mês, depois de se deteriorar com a saída do governo do ex-ministro Sergio Moro. Na rodada de junho da pesquisa, o percentual de entrevistados que consideram a administração ruim ou péssima oscilou um ponto percentual para baixo, de 49% para 48%, e o daqueles que avaliam o governo como ótimo ou bom passou de 26% para 28%.

A variação ocorre dentro da margem de erro, de 3,2 pontos percentuais, mas é o segundo levantamento seguido na mesma direção. Foram feitas mil entrevistas de abrangência nacional entre os dias 9 e 11 de junho.

Foto: Marcos Corrêa/PR

A pesquisa mostra a resiliência do apoio a Bolsonaro, mesmo após fatos políticos negativos relacionados a seu governo: além do rompimento ruidoso de Moro; a divulgação do vídeo da reunião ministerial em que o presidente indica seu interesse em interferir na Polícia Federal para proteger família e amigos; o aumento vertiginoso de mortes por covid-19; e a tentativa de reduzir o número de óbitos, anunciada pelo Ministério da Saúde, por meio de uma recontagem.

Para parte do eleitorado, no entanto, a popularidade de Bolsonaro segue intacta, embora cerca de metade o rejeite. Em linha com a avaliação de governo, a expectativa de que o restante do mandato será bom ou ótimo também melhorou dentro da margem de erro, de 27% para 29%. O grupo dos que acham que será ruim ou péssimo reduziu de 48% para 46%.

Houve melhora da percepção da economia, com significativa redução da perspectiva negativa das próprias dívidas: o grupo dos que acham que elas vão aumentar ou aumentar muito caiu de 42% para 33%; e subiu de 16% para 21% o percentual daqueles que acham que as dívidas vão diminuir ou diminuir muito.

Como indicam analistas, a imagem de Bolsonaro pode estar sendo favorecida pela concessão do benefício emergencial de R$ 600 para mitigar os efeitos econômicos da pandemia. De acordo com a pesquisa XP/Ipespe, 43% dos entrevistados já receberam ou ainda receberão a ajuda.

A redução de danos de Bolsonaro coincide com o declínio na avaliação dos governadores, que experimentou uma escalada no início da pandemia, com as medidas de combate ao novo coronavírus, mas que passa agora por um revés. De 44% dos que consideravam a atuação dos governadores ótima ou boa, no início de abril, o percentual em junho desceu a 38%. O grupo que afirma que os chefes do Executivo de seus Estados são ruins ou péssimos subiu ainda mais: de 15% para 25%.

A pesquisa, porém, traz uma notícia negativa para Bolsonaro. Seu governo é apontado como o maior responsável pela situação econômica atual por 24% dos entrevistados, um ponto percentual a mais do que no último levantamento, num empate técnico com o governo Lula (25%).