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Ipea revisa projeção do IPCA de 2020 para 1,8% de alta

Bruno Villas Bôas

Estimativa anterior dava conta de inflação de 2,9% neste ano O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou nesta sexta-feira sua projeção para o aumento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 1,8% em 2020, ante 2,9% previstos anteriormente em março. Para 2021, a expectativa é que a inflação oficial do país acelere para 3,1%.

De acordo com o relatório “Carta de conjuntura”, divulgado pelo Ipea, a crise provocada pela pandemia de covid-19 produz impactos deflacionários, especialmente sobre os setores mais afetados pelo isolamento social: serviços e bens de consumo duráveis. Por isso, a revisão da projeção.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

No caso dos bens de consumo, a alta esperada pelo Ipea é de 1% em 2020. Já para os serviços, a taxa prevista é de 2,2%, influenciada pela desaceleração mais intensa nos segmentos ligados ao turismo — representados no IPCA por itens como pacotes turísticos, hotéis, passagens aéreas, por exemplo.

Em maio, o IPCA registrou deflação de 0,38%, maior baixa desde agosto de 1998 (-0,51%). No acumulado de 12 meses, o índice registrou elevação de apenas 1,88%, abaixo da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), de 4% neste ano. A meta tem margem de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos.

A desaceleração da inflação nos últimos meses veio dos preços administrados, com destaque para a gasolina e energia elétrica. Mesmo com aceleração desses preços no segundo semestre, os administrados deverão encerrar o ano com alta de apenas 1,2% em 2020, bem abaixo do verificado em 2019 (5,5%) e em 2018 (6,2%).

Já os alimentos ficaram mais caros, refletindo a desvalorização cambial e a alta da demanda por alimentos por causa da quarentena de famílias. Em 12 meses, a inflação desses produtos chegou a 8,1% em maio. Para os próximos meses, porém, esses preços devem desacelerar e fechar o ano em 3%.