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Ipea prevê queda de 10,5% no PIB do 2º trimestre e retração de 6% em 2020

Alessandra Saraiva

Para o instituto, recuperação no segundo semestre deve ajudar desempenho positivo da economia em 2021, quando o país deve crescer 3,6%, segundo a previsão O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projeta queda de 10,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre ante o primeiro trimestre, devido à pandemia. A estimativa consta da pesquisa Carta de Conjuntura, divulgada nesta terça-feira, em que o instituto divulga projeções atualizadas de atividade para o ano de 2020.

Segundo as estimativas do instituto, em comparação com o segundo trimestre de 2019, a queda no PIB será de 11% no segundo trimestre de 2020. O instituto projetou ainda que o ano deve encerrar com queda de 6% na atividade econômica.

Restaurante parcialmente fechado durante a quarentena na pandemia de coronavírus, em São Paulo

AP Photo/Andre Penner

Ao detalhar suas projeções, o instituto salientou que houve queda profunda na atividade econômica em abril, causada pela crise na economia originada da doença, causada por contaminação pelo novo coronavírus. Entretanto, o recuo intenso em abril oferece oportunidade para efeito estatístico, por uso de base de comparação fraca, para crescimento na margem nas atividades de maio e de junho. Isso, na prática, oferece um "carry-over importante" para o PIB do terceiro trimestre de 2020, salientou o instituto.

"A queda projetada para o ano é de 6%, mas a trajetória de recuperação no segundo semestre deixará um carry-over de quase 2% para 2021, cujo crescimento projetado é de 3,6%", informou o instituto.

Por dentro das projeções do instituto para o PIB do segundo trimestre, a maioria das categorias tem estimativas de queda. Na comparação com primeiro trimestre de 2020, pelo lado da oferta, o Ipea projeta quedas profundas no segundo trimestre para as atividades de indústria (-13,8%) e serviços (-13,8%). Essas duas categorias devem encerrar o ano negativas, com recuos na atividade de 7,3% e de 5,8% na atividade em 2020, respectivamente.

Na comparação com segundo trimestre de 2019, são esperadas quedas 14,3% e de 10,7% no PIB da indústria e no PIB de serviços, no segundo trimestre deste ano.

Pelo lado da demanda, no segundo trimestre ante o primeiro trimestre, o Ipea projeta quedas em consumo das famílias (-11,2%), consumo do governo (-0,8%); Formação Bruta de Capital Fixo, a FBCF (-18,7%); exportações (-10,9%); e importações (-14,9%). As projeções para o ano são de que esses tópicos encerrem 2020 com quedas respectivas de 6,9%; de -0,3%; de -9,7%; de -6,4% e de -6,5%.

Na comparação com segundo trimestre de 2019, todos os componentes pelo lado da demanda devem finalizar segundo trimestre de 2020 com saldo negativo, segundo o Ipea. É o caso dos recuos estimados em consumo das famílias (-12%); consumo do governo (-0,5%); FBCF (-17,3%); exportações (-11,8%); e importações (-13,3%).

Na carta de conjuntura do Ipea, a única projeção totalmente positiva para o ano, entre os grandes componentes pelo lado da demanda e da oferta, partiu do PIB da agropecuária. Mesmo em meio à pandemia, boas projeções do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, calculada pelo IBGE, devem conduzir a uma alta de 1,1% no PIB do setor no segundo trimestre ante o primeiro trimestre, informou o Ipea. Na comparação com segundo trimestre de 2019, a alta deve ser de 2,5%, em igual trimestre em 2020. No ano, o PIB agropecuário deve subir 2%, de acordo com o Ipea.