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Ipea faz alerta sobre risco da incerteza fiscal para recuperação da economia

THAIS CARRANÇA
·7 minutos de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHJAPRESS) - O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) fez nesta quinta-feira (1) um alerta sobre a importância da redução da incerteza fiscal para a continuidade da trajetória de recuperação da economia. Do contrário, diz o instituto, juros, déficit e dívida em alta condenariam o país ao baixo crescimento. “O país sairá da pandemia com seu desafio de consolidação fiscal redobrado, e com a necessidade de sinalizar de forma inequívoca seu compromisso com o equilíbrio fiscal”, escrevem os economistas do Ipea, em relatório. “Na ausência de medidas efetivas que disciplinem o crescimento dos gastos públicos -aí incluídos os gastos tributários=, a possível percepção de insustentabilidade da dívida pública poderia gerar um ciclo vicioso, no qual aumentos da taxa de juros, do déficit nominal e da dívida se reforçariam mutuamente, tornando cada vez mais difícil o ajuste das contas públicas e conduzindo a economia a um equilíbrio instável de baixo crescimento.” Conforme o levantamento do Ipea, o gasto da União nas ações de combate à Covid-19 eram estimados em R$ 590 bilhões ao fim de setembro, acima da previsão de R$ 250 bilhões feita em abril e dos R$ 404 bilhões estimados em junho. Do total, R$ 322 bilhões diziam respeito apenas ao auxílio emergencial, ante previsão inicial de um gasto de R$ 124 bilhões com a ajuda aos trabalhadores que perderam renda. Ainda conforme a equipe do Ipea, a intensidade da recuperação da atividade depende no curto prazo também da evolução da pandemia, em especial da continuidade da trajetória de redução do número de novos casos e mortes. “O efetivo controle da disseminação da Covid-19 é particularmente importante para o setor de serviços, que vem apresentando desempenho inferior aos demais devido às restrições ainda em vigor e ao comportamento cauteloso por parte de consumidores”, afirmam. REVISÃO Apesar dos riscos à retomada, o Ipea revisou nesta quinta-feira sua estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de uma queda de 6% para 5%, diante dos bons resultados da produção industrial e do varejo no início do terceiro trimestre. Para 2021, a expectativa de crescimento foi mantida em 3,6%. Em julho, a produção industrial cresceu 8% e a estimativa do instituto é de que o setor tenha registrado nova alta em agosto, de 6,1% em relação ao mês anterior. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o resultado da indústria em agosto na sexta-feira (2). Já o varejo cresceu 5,2% no conceito restrito em julho e 7,2% no ampliado, que inclui vendas de automóveis e material de construção. Para agosto, o Ipea espera novas altas nos indicadores, de 5,6% e 7,5%, respectivamente. Enquanto o varejo em julho já estava 5,3% acima do nível registrado em fevereiro, antes da adoção das medidas de distanciamento social, o setor de serviços ainda estava naquele mês 12,5% abaixo do patamar pré-pandemia. O instituto projeta, porém, uma alta de 7,6% para o setor em agosto, após avanço de apenas 2,6% em julho. A melhora da projeção para o PIB feita pelo Ipea acompanha uma tendência geral. No boletim Focus, a estimativa mediana dos economistas chegou a ser de queda de 6,5% da atividade em meados de junho, mas está atualmente em cerca de 5%. O Banco Central também melhorou este mês sua projeção de -6,4% para -5%. Já a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) revisou sua perspectiva para o PIB do país para queda de 6,5%, de estimativa anterior de um tombo de 7,4%. Conforme o levantamento do Ipea, o gasto da União nas ações de combate à Covid-19 eram estimados em R$ 590 bilhões ao fim de setembro, acima da previsão de R$ 250 bilhões feita em abril e dos R$ 404 bilhões estimados em junho. Do total, R$ 322 bilhões diziam respeito apenas ao auxílio emergencial, ante previsão inicial de um gasto de R$ 124 bilhões com a ajuda aos trabalhadores que perderam renda. Ainda conforme a equipe do Ipea, a intensidade da recuperação da atividade depende no curto prazo também da evolução da pandemia, em especial da continuidade da trajetória de redução do número de novos casos e mortes. “O efetivo controle da disseminação da Covid-19 é particularmente importante para o setor de serviços, que vem apresentando desempenho inferior aos demais devido às restrições ainda em vigor e ao comportamento cauteloso por parte de consumidores”, afirmam. REVISÃO Apesar dos riscos à retomada, o Ipea revisou nesta quinta-feira sua estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de uma queda de 6% para 5%, diante dos bons resultados da produção industrial e do varejo no início do terceiro trimestre. Para 2021, a expectativa de crescimento foi mantida em 3,6%. Em julho, a produção industrial cresceu 8% e a estimativa do instituto é de que o setor tenha registrado nova alta em agosto, de 6,1% em relação ao mês anterior. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o resultado da indústria em agosto na sexta-feira (2). Já o varejo cresceu 5,2% no conceito restrito em julho e 7,2% no ampliado, que inclui vendas de automóveis e material de construção. Para agosto, o Ipea espera novas altas nos indicadores, de 5,6% e 7,5%, respectivamente. Enquanto o varejo em julho já estava 5,3% acima do nível registrado em fevereiro, antes da adoção das medidas de distanciamento social, o setor de serviços ainda estava naquele mês 12,5% abaixo do patamar pré-pandemia. O instituto projeta, porém, uma alta de 7,6% para o setor em agosto, após avanço de apenas 2,6% em julho. A melhora da projeção para o PIB feita pelo Ipea acompanha uma tendência geral. No boletim Focus, a estimativa mediana dos economistas chegou a ser de queda de 6,5% da atividade em meados de junho, mas está atualmente em cerca de 5%. O Banco Central também melhorou este mês sua projeção de -6,4% para -5%. Já a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) revisou sua perspectiva para o PIB do país para queda de 6,5%, de estimativa anterior de um tombo de 7,4%. "Quando avaliamos nosso cenário para o crescimento do PIB em junho, o auxílio não seria prorrogado, como foi. As condições mudaram e isso impactou na atividade econômica diretamente", diz Souza Júnior. Para o pesquisador, a atividade poderá continuar se recuperando, mesmo com o término do auxílio. "Continuando o cenário de melhora da pandemia e, futuramente, com a chegada da vacina, os setores começam a se recuperar mais fortemente e isso vai substituindo a renda de transferência por uma renda gerada pelo trabalho", avalia, prevendo que a taxa de desemprego poderá até aumentar, com a volta das pessoas à busca por ocupação, mas que a massa salarial deve ir se recuperando, com a geração de empregos que já começa a acontecer. Nesta quarta (30), o IBGE informou que a taxa oficial de desemprego chegou ao nível recorde de 13,8% no trimestre encerrado em julho, com 13,1 milhões de desocupados. No mesmo dia, o Ministério da Economia informou, por outro lado, que foram geradas 249 mil vagas com carteira assinada em agosto. INFLAÇÃO Ao mesmo tempo em que mostra otimismo com o desempenho da atividade, o Ipea piorou sua projeção para a inflação esse ano, de uma alta de 1,8% para 2,3%. A mudança foi influenciada principalmente por uma revisão na perspectiva para a inflação dos alimentos, de avanço de 3% no ano para 11%. Mesmo com a perspectiva de uma inflação mais alta este ano, os economistas do Ipea avaliam que o nível de preços não é motivo para maiores preocupações por enquanto. “A expectativa de uma retomada apenas gradual da demanda, aliada à capacidade ociosa presente na maioria dos setores produtivos e à redução dos custos de mão de obra e aluguéis, deve continuar mantendo uma trajetória bem comportada do nível médio de preços”, afirmam, em relatório. Para 2021, o instituto espera que a inflação acelere para uma alta de 3,3%, acompanhando a perspectiva de aumento da demanda, com a recuperação esperada da economia. “Mesmo diante da expectativa de um comportamento mais favorável dos alimentos, haverá uma pressão maior vinda tanto dos demais preços livres quanto dos administrados [como conta de luz, combustíveis, transporte público, medicamentos e planos de saúde] compatível com um cenário de atividade econômica mais dinâmico em 2021.”​​