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IPCA deixa 3 meses de quedas para trás e sobe mais que o esperado em outubro

Pessoas passam em frente a barracas de verduras em mercado no Rio de Janeiro

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os preços ao consumidor brasileiro voltaram a subir em outubro e mais do que o esperado, deixando para trás três meses seguidos quedas, uma vez que a redução dos combustíveis não foi suficiente para compensar a pressão dos alimentos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou a subir 0,59% em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

A inflação volta a pressionar os bolsos dos brasileiros depois de os preços terem recuado por três meses seguidos, graças a medidas do governo e à queda nos custos de combustíveis, o que foi bastante alardeado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) antes de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência.

Ainda assim, a inflação em 12 meses foi abaixo de 7% pela primeira vez desde abril de 2021 ao registrar taxa de 6,47%, contra 7,17% em setembro. É o resultado mais fraco desde os 6,10% vistos em março de 2021.

Mas mesmo assim Lula deve assumir seu mandato com a inflação acima da meta --de 3,5% para este ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de altas de 0,48% na comparação mensal e de 6,34% em 12 meses.

Outubro teve como destaque a alta de 0,72% do grupo Alimentação e Bebidas, que exerceu o maior peso no índice do mês ao deixar para trás o recuo de 0,51% de setembro.

O resultado de alimentos foi puxado pela alta de 0,80% de alimentação no domicílio, sob pressão de batata-inglesa (23,36%) e tomate (17,63%), devido a problemas climáticos e de oferta.

“A queda (de alimentos) no mês (anterior) não foi suficiente para repor as altas do começo do ano, e por isso as pessoas ainda vão aos mercados e acham os preços caros", disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

COMBUSTÍVEIS

Transportes também se destacou com alta de 0,58% em outubro, de uma queda de 1,98% antes. Isso porque as passagens aéreas dispararam 27,38% e os combustíveis reduziram o recuo a 1,27%, após deflação de 8,50% em setembro.

Gasolina (-1,56%), óleo diesel (-2,19%) e gás veicular (-1,21%) seguiram trajetória de queda, mas o etanol teve alta de 1,34%.

"Tivemos 42% da alta concentrada em alimentos e transportes", disse Kislanov, explicando que ainda não se viu na inflação efeito dos bloqueios em estradas feitos por apoiadores de Bolsonaro inconformados com sua derrota na eleição.

O resultado do IPCA mostra que os efeitos da redução da alíquota de ICMS sobre combustíveis, energia e telecomunicações estão se dissipando, o que deve impedir novos registros de queda para o IPCA.

"Os efeitos (disso) já foram praticamente computados. O que tinha que acontecer já aconteceu e, se vier algo, será residual", disse Kislanov.

A alta mais intensa em outubro partiu do grupo Vestuário, de 1,22%, com as roupas masculinas avançando 1,70% e as femininas, 1,19%.

Já a inflação de serviços teve uma alta de 0,67% em outubro, acelerando ante a taxa de 0,40% vista no mês anterior.

O IBGE informou ainda que o índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, subiu a 68% em outubro, de 62% no mês anterior.

No final de outubro o Banco Central decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano, na última reunião de seu Comitê de Política Monetária (Copom) antes do segundo turno das eleições presidenciais, ressaltando que a inflação continua alta, com reduções concentradas em uma parcela dos preços.

"Para os próximos meses, a perspectiva aponta para um movimento de inflação de bens industriais e serviços desacelerando, o que deve permitir a manutenção do movimento do recuo do IPCA no acumulado em 12 meses", avaliou Felipe Rodrigo de Oliveira, economista da MAG Investimentos.

Pesquisa Focus realizada pelo BC com uma centena de economistas mostra que a expectativa do mercado é de que a inflação encerre este ano a 5,63% e o próximo, a 4,94%.