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IPCA avança 0,83% em maio, maior alta para o mês em 25 anos

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**ARQUIVO** São Paulo, SP, Brasil, 21-02-2019: Conta de Luz Enel (SP). (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
**ARQUIVO** São Paulo, SP, Brasil, 21-02-2019: Conta de Luz Enel (SP). (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Pressionado pela energia elétrica, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou o ritmo de alta no país. Em maio, o indicador oficial de inflação avançou 0,83%, após variação de 0,31% em abril. Foi o maior resultado para o quinto mês do ano desde 1996 (1,22%).

Com isso, o IPCA aumenta a distância em relação ao teto da meta de inflação. No acumulado de 12 meses até maio, a alta chegou a 8,06%. A variação estava em 6,76% até abril.

O teto da meta de inflação é de 5,25% neste ano. O centro da meta é de 3,75%.

O IPCA de maio foi divulgado nesta quarta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou acima das previsões do mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação de 0,71% no mês.

Conforme o IBGE, os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram alta em maio. O maior impacto (0,28 ponto percentual) e a maior variação (1,78%) vieram de habitação, que acelerou em relação a abril (0,22%).

O resultado desse grupo deve-se, principalmente, à elevação na energia elétrica (5,37%), que teve o maior peso no índice do mês (0,23 p.p.). Em maio, passou a vigorar no país a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100kWh (quilowatt-hora) consumidos.

A conta mais cara tem relação com a crise hídrica. Com a escassez de chuva, os custos de geração de energia elétrica ficam maiores, gerando repasse para os consumidores.

Durante a pandemia, o IPCA também ganhou corpo com a disparada de preços de alimentos e, em seguida, de combustíveis. Alta do dólar e avanço das commodities ajudam a explicar o comportamento desses itens na crise sanitária.

No último dia 28, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) citou as dificuldades hídricas ao anunciar a aplicação do patamar 2 da bandeira tarifária vermelha para o mês de junho, ao custo de R$ 6,243 para cada 100kWh (quilowatt-hora) consumidos.

Em uma tentativa de frear a inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC subiu a taxa básica de juros no começo de maio. À época, confirmou aumento de 0,75 ponto percentual na Selic, que passou para 3,50% ao ano.

Na ocasião, o Copom também sinalizou nova alta na mesma magnitude em junho, para 4,25%. O colegiado volta a se reunir na próxima semana.