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IPCA-15 tem alta de 0,02% em junho, aponta IBGE

Gabriel Vasconcelos

No ano, a inflação medida pelo índice acumula alta de 0,37% O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,02% em junho, após cair 0,59% em maio, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O resultado ficou acima da mediana das projeções de 31 analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data, que projetam queda de 0,05% em junho. O intervalo das estimativas era de -0,13% para 0,12%.

Pelo indicador acumulado em 12 meses, o IPCA acelerou para 1,92% em junho, abaixo dos 1,96% acumulados até maio deste ano. Os analistas consultados pelo Valor Data projetavam taxa de 1,85% para mediana acumulada em 12 meses até junho.

Com a leitura de junho, o índice acumulado em 12 meses ficou abaixo do piso da meta de inflação deste ano, de 2,5% — o centro da meta é 4%, com margem de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. No ano até junho, a inflação pelo IPCA-15 acumula agora alta de 0,37%.

O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, calculado com base em uma cesta de consumo típica das famílias com rendimento um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.

A inflação se espalhou mais pelos produtos que compõem a cesta do IPCA-15 em junho. O chamado índice de difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preço subiu a 47,1% no mês passado, de 45,2% registrado em maio, segundo cálculo do Valor Data. Sem os alimentos, grupo considerado mais volátil, a difusão do IPCA-15 em junho subiu a 42%, de 39,5% em maio.

Alimentos e bebidas puxaram o aumento

O grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo aumento no IPCA-15 de junho. Os preços do grupo subiram 0,47% em junho, praticamente repetindo a alta de maio (0,46%). Responsável por um quarto do orçamento das famílias, o grupo respondeu por 0,09 ponto percentual (p.p.) no IPCA-15 do mês, a maior contribuição positiva entre as classes de despesa.

Essa alta foi influenciada, principalmente, pelo comportamento dos alimentos para consumo no domicílio, que subiram 0,56% em junho - como batata-inglesa (+16,84%), as carnes (+1,08%), cebola (14,05%) e feijão-carioca (9,38%). O resultado também refletiu a variação do grupo Artigos de residência, cujos preços subiram 1,36% e impactaram o IPCA-15 em 0,05 p.p.

Embora tenham sofrido a menor variação de preços na margem (-0,71%), o grupo Transportes teve o maior impacto negativo no índice geral, -0,14 p.p. A queda foi influenciada, principalmente, pelo resultado das passagens aéreas (-26,08%), que apresentaram o maior impacto individual negativo no IPCA-15 de junho (-0,12 p.p.).

Combustíveis

Na quarta queda consecutiva, os preços dos combustíveis recuaram 0,34% em junho. O grupo teve impacto negativo de 0,02 pontos percentuais no IPCA-15. Em maio, os combustíveis tinham recuado 8,54% na margem.

A gasolina teve queda de 0,17% em junho, após variação de -8,51% em maio. Adicionalmente, o óleo diesel (-4,39%) e o etanol (-0,49%) também registraram queda de preços. Por outro lado, o gás veicular, que havia caído 1,21% em maio, apresentou alta de 0,84% no IPCA-15 de junho.

Estes produtos integram o grupo de Transportes, cujos preços recuaram 0,71% e representaram o maior impacto negativo do mês no índice geral (-0,14 p.p.). Ainda nessa classe, o seguro voluntário de veículo registrou queda de 2,27%, tendo o mesmo impacto dos combustíveis, -0,02 p.p. no índice do mês.

O IBGE destaca ainda que fatos ocorridos no Rio de Janeiro influenciaram a dinâmica dos preços dos transportes. A variação negativa no subitem táxi (-0,38%) deve-se ao resultado do Rio (-1,69%), onde houve o cancelamento do reajuste ocorrido em janeiro. O subitem metrô variou 0,35%, também como reflexo da alta de 8,69% da tarifa fluminense a partir de 11 de junho.

Outros quatro grupos pesquisados apresentaram deflação em junho, na comparação com maio: vestuário (-0,15%), habitação (-0,07%), despesas pessoais (-0,03%) e saúde e cuidados pessoais (-0,01%).

Rio é a única capital que registrou aumento

O Rio de Janeiro é a única capital do país onde o custo de vida ficou mais caro durante a pandemia da covid-19. Nos três meses entre 15 de março e 15 de junho, quando as medidas de isolamento social passaram a valer amplamente, os preços na região metropolitana do Rio avançaram 0,49%.

Das 12 capitais pesquisadas, Recife tem a dinâmica de preços que mais se aproxima, ainda assim, com deflação 0,12% no período. A maior queda nos preços no trimestre foi verificada em Curitiba (-1,41%). São Paulo, a maior cidade do país, experimentou deflação de 0,57% nestes três meses.

Em junho, o Rio viu os preços avançarem 0,27%, mais que o dobro do índice de Goiânia (0,13%), cidade com a segunda maior inflação. O menor resultado foi registrado na região metropolitana de Belém (-0,20%), por conta do recuo nos preços das passagens aéreas (-34,37%). Em São Paulo, os preços se mantiveram estáveis na margem.

De acordo com o IBGE, o avanço dos preços no Rio em junho se deve ao encarecimento de alguns itens alimentícios, como as carnes (4,35%) e batata-inglesa (24,71%).

No acumulado dos últimos doze meses, entretanto, o Rio não tem a maior inflação medida pelo IBGE: o avanço de 2,22% na capital fluminense fica atrás dos verificados em Belém (2,66%), Fortaleza (2,55%) e São Paulo (2,28%).