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IPCA-15 dispara e tem maior taxa para dezembro desde 2015

Bruno Villas Bôas

No último mês do ano, inflação foi de 1,05%, também o maior resultado mensal desde junho de 2018, informa IBGE O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, encerrou 2019 com um alta acumulada de 3,91%, acima dos 3,86% registrados um ano antes, informou há pouco o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas em dezembro, o IPCA-15 subiu 1,05%, após aumento de 0,14% em novembro. Foi o maior resultado mensal desde junho de 2018, quando o índice avançou 1,11%. Foi também a maior taxa para meses de dezembro desde 2015 (+1,18%).

Carne responde por quase metade da inflação de dezembro

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/12/20/carne-responde-por-quase-metade-da-inflacao-de-dezembro-nota-ibge.ghtml

Além disso, a prévia da inflação fechou o mês acima da mediana estimada por 32 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de 0,95%.

Com o resultado, a prévia da inflação oficial terminou o ano abaixo do centro da meta de inflação, de 4,25% — a meta tem margem de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. A referência para o cumprimento da meta é, porém, o IPCA “cheio”, a ser divulgado em janeiro.

Grupos

Sete dos nove grupos de despesas que integram o IPCA-15 aceleraram na passagem de novembro para dezembro. O destaque ficou para Alimentação e bebidas, que avançou 2,95%, puxado pela alta dos preços das carnes (+17,71%). O grupo teve impacto de 0,63 ponto percentual a inflação do último mês de 2019.

Despesas pessoais avançaram 1,74%, acima da taxa de 0,40% de novembro. O item jogos de azar aumentou 36,99%, que contribuiu com o segundo maior impacto individual no índice do mês (0,16 ponto). O motivo foi a alta de preços das apostas lotéricas, com vigência a partir do dia 10 de novembro.

Em transportes, que foram de 0,30% em novembro para 0,90% de elevação um mês depois, a maior influência veio das passagens aéreas (15,63%), com impacto de 0,07 ponto percentual.

Habitação saiu de acréscimo de 0,22% para alta de 0,25% do penúltimo para o último mês de 2019. O movimento foi puxado por aluguel residencial (0,50%) e condomínio (0,65%), ambos com variações acima das registradas em novembro.

Outros grupos com altas mais marcadas foram saúde e cuidados pessoais (de +0,20% em novembro para +0,22% em dezembro) e educação (de +0,04% para +0,09%). Comunicação mudou de direção (de -0,02% para +0,66%).

Ainda de novembro para dezembro, artigos de residência aprofundaram a queda (de -0,06% para -0,84%) enquanto vestuário subiu menos (+0,68% para +0,09%).

Difusão

A inflação se espalhou menos pelos produtos e serviços que compõem o IPCA-15 em dezembro. O chamado Índice de Difusão, que mede a proporção de itens que tiveram aumento de preços no período, caiu para 55,6% no período, vindo de 59,2% em novembro, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta. Com isso, o percentual da cesta com inflação positiva é o menor desde outubro (53,4%).

Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador também mostrou menor abrangência de altas de preços, de 57,3% para 49,3%, retornando ao mesmo percentual de setembro.

Regiões

Nove dos 11 locais pesquisados pelo IBGE para compor o IPCA-15 fecharam 2019 com inflação abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,25% neste ano.

Os menores índices do ano foram registrados em Brasília (3,33%), Recife (3,33%), Curitiba (3,53%), Rio de Janeiro (3,61%) e Salvador (3,77%). Também ficaram abaixo da meta Belo Horizonte (3,88), Porto Alegre (3,88%), Goiânia (3,89%) e São Paulo (4,15%).

As exceções foram Fortaleza (4,49%) e Belém (5,15%). No caso da capital do Pará, o aumento bem acima da média nacional está ligado ao maior avanço dos preços dos alimentos, que ficaram 6,90% mais caros de janeiro a dezembro deste ano pelo IPCA-15.