IPCA-15 acima das previsões derruba dólar ante o real

A taxa de 0,88% para o IPCA-15 em janeiro, acima do verificado em dezembro e das previsões dos analistas, definiu a queda do dólar ante o real nesta quarta-feira, em meio à percepção de que o câmbio é uma ferramenta importante para o controle da inflação no Brasil. A redução da perspectiva de crescimento global e brasileiro, feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), reduziu um pouco a pressão de baixa sobre o dólar, mas ainda assim a moeda fechou em queda de 0,29%, cotada a R$ 2,0380 no mercado de balcão.

Na máxima do dia, vista perto das 9h30, o dólar à vista no balcão marcou R$ 2,0450 (+0,05%) e, na mínima, perto das 12h45, R$ 2,0360 (-0,39%). Quando surgiram as revisões do FMI, por volta das 13 horas, o dólar desacelerou a queda ante o real, em um movimento que também foi percebido no exterior, em relação a outras moedas. Ainda assim, a percepção de que não há espaço para ganhos do dólar ante o real, considerando o cenário inflacionário brasileiro, manteve o viés de baixa da moeda americana.

Às 16h55, a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 2,297 bilhões, sendo US$ 1,960 bilhão em D+2. O dólar pronto da BM&F, com 14 negócios, fechou em baixa de 0,49%, a R$ 2,0380. No mercado futuro, o dólar com vencimento em fevereiro era cotado a R$ 2,0390, em baixa de 0,34%.

"O dólar abriu hoje estável, em linha com o exterior, mas com os indicadores de inflação estava claro que o dólar poderia ceder. E o IPCA-15 trouxe um viés de baixa, confirmando a expectativa de que uma inflação mais pressionada força o dólar para baixo", comentou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, de Curitiba.

O fluxo cambial, segundo fonte da área de câmbio de um grande banco, estava levemente negativo, não contribuindo de forma determinante para o movimento do dólar, que se apegou ao IPCA-15.

Considerado uma prévia para a inflação oficial, medida pelo IPCA, o IPCA-15 em janeiro (+0,88%) ficou acima do teto das estimativas do mercado, que esperava taxa entre 0,71% e 0,86%. O índice, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicou ainda uma inflação acumulada em 12 meses de 6,02% - o que eleva as preocupações quanto ao cumprimento da meta de inflação em 2013, de 4,5% com margem de tolerância até os 6,5%.

Profissionais lembram que, como o Banco Central tem sinalizado para a manutenção da Selic (a taxa básica de juros) em 7,25% ao ano para um período prolongado de tempo, o dólar seria uma ferramenta privilegiada para controle de preços. O desafio do governo seria estabelecer uma sintonia fina, mantendo a moeda americana não tão baixa a ponto de prejudicar a indústria e não tão alta a ponto de prejudicar a inflação.

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