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Investimentos: 5 expectativas erradas que podem te prejudicar

Finanças Internacional
·6 minutos de leitura
Foto: Getty Images / Getty Creative
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Se eu fosse escolher um tema sobre o qual mais me aconselharam, seria investimentos. Todo mundo tem uma fórmula mágica para ganhar dinheiro no mercado e, embora a intenção seja ajudar, muitas dessas dicas podem ser devastadoras para sua carteira e gerar uma grande expectativa que não se confirma na realidade.

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Felizmente, no mundo dos investimentos, é possível aprender com os erros e corrigir os rumos. Por isso, trago aqui algumas dessas expectativas irreais que você pode ter criado e que podem afetar seu patrimônio.

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"Empresas de rápido crescimento são ótimos investimentos"

Os novos investidores costumam presumir que, se uma empresa estiver crescendo rapidamente, investir nela é uma boa ideia, o que com certeza faz sentido.

Mas, embora crescimento forte seja um critério importante para identificar as próximas grandes valorizações, não é o único. Identificar a próxima explosão no mercado é quase como preparar um prato gourmet. São necessários vários ingredientes para acertar a receita. Por isso, quando for pesquisar, você deve estudar todos os outros fatores, não apenas o crescimento do faturamento e do lucro.

Além disso, as empresas de crescimento rápido tendem a ser supervalorizadas. Pense nisso. Você não é o único que notou. Existem vários outros investidores ativos e empolgados que estão empurrando o preço do papel para cima. Portanto, comprar ações de uma empresa supervalorizada de rápido crescimento pode não ser a melhor estratégia.

Pesquisas mostram que as empresas de rápido crescimento tendem a ter um desempenho ruim nos anos seguintes, o que é terrível para novos acionistas.

Resumindo: crescimento muito acelerado não transforma automaticamente uma empresa em um bom investimento. E, embora o crescimento seja essencial, é preciso analisá-lo em conjunto com outros fatores igualmente importantes, principalmente o preço justo da ação, determinado pela técnica conhecida como "valuation".

"Uma ação em baixa só pode se valorizar"

Assim como uma ação de crescimento muito rápido nem sempre é um bom investimento, uma ação negociada abaixo do seu valor justo também pode não ser.

Mas a culpa não é só sua. Todo mundo diz que, para ganhar dinheiro, é preciso comprar na baixa e vender na alta. Então, sempre que uma ação atinge o fundo do poço ou está descontada em relação a seu valor justo, seu radar apita. Você imediatamente supõe que essa será uma ótima compra. E, embora essa informação seja um bom ponto de partida, já que, às vezes, os mercados punem excessivamente as boas empresas, não é uma boa ideia basear toda a sua decisão apenas nela.

Sempre há um bom motivo para um grande desconto, inclusive nas bolsas de valores. Talvez a empresa tenha algum fundamento problemático ou o setor como um todo tem perspectivas muito ruins pela frente.

Seu papel é pesquisar a fundo o motivo da queda. Quando fizer isso, se ainda achar que a ação está desvalorizada sem um motivo concreto, invista, mas não compre uma ação simplesmente por estar descontada; isso não é garantia de que valorização.

"Comprar e manter em carteira é a melhor estratégia"

"É só comprar e segurar". Se eu ganhasse um real para cada vez que ouvi isso, já estaria rico. Não me leve a mal, esse é um ótimo conselho, mas o que a maioria dos investidores não percebe é que isso é apenas parte de uma estratégia muito maior. Vários outros fatores, como comprar as ações certas pelo preço certo, também estão em jogo.

Imagine investir em uma empresa envolvida em corrupção ou em um ramo ruim. Não importa por quanto tempo você mantenha a ação, a empresa não vai melhorar por conta disso. Você pode justificar sua compra diversificando ou dizendo a si mesmo que só precisa de mais tempo, mas o fato é que tempo nenhum pode transformar um mau investimento em bom.

Portanto, embora manter em carteira ações de uma empresa boa e permitir que ela atinja todo o seu potencial seja uma ótima estratégia, manter as ações de uma empresa falida na esperança de que ela se recupere não é interessante.

Pode ser muito difícil admitir que você fez a escolha errada, mas ignorá-la é uma alternativa muito pior. Quanto mais cedo você aceitar, mais rápido poderá corrigir o erro.

"Nunca se perde dinheiro com blue chips"

As blue chips, nome dado às maiores empresas das bolsas, são empresas que têm um bom histórico de resultados, marca forte e margens consideráveis.

Nomes como Petrobrás ou Vale vêm à mente sempre que vemos o termo "blue chips". Elas são empresas conhecidas que operam um negócio de sucesso e, portanto, são ótimos investimentos, certo? Não, nem sempre. Como nas duas expectativas que mencionamos antes, essa também é uma meia-verdade, ou seja, não é informação suficiente. As ações blue chips nem sempre são o investimento mais seguro.

Você não pode simplesmente investir todo o seu dinheiro em blue chips e presumir que nada dará errado. Todas as empresas passam por estágios diferentes de crescimento e até mesmo as blue chips podem dar seus tropeços.

Quantos investidores achavam que a IRB Brasil, empresa do governo brasileiro, era um investimento seguro antes da derrocada na sua cotação? E, mesmo agora, uma líder de mercado muito confiável como a Cielo não conseguiu apresentar resultados adequados nos últimos anos.

A história também nos diz que nenhuma empresa pode crescer e gerar retornos sólidos para sempre.

Além disso, como seus resultados são previsíveis, as empresas blue chips tendem a ser supervalorizadas, o que dificulta a obtenção de bons retornos com a ação.

O segredo do investimento de sucesso é identificar boas empresas que podem gerar retornos sólidos. Você deve ter uma carteira bem equilibrada, com uma combinação de blue chips e empresas de outros tamanhos. Se você investir apenas em blue chips, provavelmente deixará passar as próximas grandes empresas, como o Banco Inter, que ainda estão por desabrochar.

"Diversificar é o segredo"

Muitas vezes chamada de o "único almoço grátis" no mundo das finanças, sempre fui fã da diversificação. Mas, para a minha surpresa, percebi rapidamente que a maioria das pessoas interpretou esse conceito de forma errada, e acabam perdendo valor na sua carteira de investimentos.

O investimento em ações não correlacionadas traz a diversificação, que visa a reduzir o risco total da carteira. Portanto, se sua carteira combina ativos que, além de apresentarem bons resultados, também não são correlacionados entre si, você está diluindo seu risco em diferentes ativos e, portanto, reduzindo-o.

No entanto, a maioria das pessoas não consegue tirar proveito desse conceito, seja não investindo em ativos não correlacionados ou diversificando demais. De todo modo, eles acabam "piorando" o resultado da sua carteira.

Por isso, toda vez que você adquirir uma nova ação, dê uma olhada no histórico de retorno da empresa, principalmente em comparação com as ações que você já detém. Se perceber uma tendência em que todas elas oscilam para o mesmo sentido juntas, você está diversificando demais.

O segredo é fazer o simples, concentrando-se em poucas e boas ações. Como Buffet diz: "Coloque todos os ovos na mesma cesta e cuide da cesta com muito cuidado".

Manvi Agarwal

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