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Investimento em startups brasileiras cai pela metade em 2022

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Retrato de Sergio Rial, que anunciou seu desligamento do cargo de presidente da Americanas após ter encontrato incosistências no montante de R$ 20 bilhões no balanço da companhia. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Retrato de Sergio Rial, que anunciou seu desligamento do cargo de presidente da Americanas após ter encontrato incosistências no montante de R$ 20 bilhões no balanço da companhia. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A queda nos investimentos em startups, a crise das Americanas e outros destaques da economia nesta segunda-feira (16).

EM BAIXA

Depois do boom de investimentos em startups brasileiras em 2021, que chegou a ser considerado uma "bolhinha" por especialistas, em 2022 a ressaca bateu e as prioridades mudaram.

O volume de investimentos nas startups do país caiu pela metade de um ano para o outro, saindo do patamar de US$ 10,5 bilhões (R$ 53,7 bi) para US$ 5,2 bilhões (R$ 26,6 bi), segundo levantamento da plataforma de inteligência de dados SlingHub.

- O tombo nos aportes foi menor quando se amplia o recorte para as startups da América Latina: caiu 34% no período, de US$ 18,4 bi (R$ 94 bi) para US$ 12 bi (R$ 61,3 bi).

O QUE EXPLICA

muito do movimento está relacionado ao nível da taxa de juros, principalmente nos EUA.

- Zerada em 2021, ela impulsionou o apetite ao risco do investidor, que passou a mirar ativos com maior potencial de retorno, como as startups.

- A inflação persistente, porém, motivou o Federal Reserve (banco central americano) a elevar rapidamente o ritmo de aperto monetário em 2022, revertendo o fluxo de dinheiro de ativos mais arriscados para os considerados mais seguros, como a renda fixa.

A palavra da vez no mundo das startups passou a ser outra: corte de custos. No Brasil, ele veio principalmente no primeiro semestre, quando unicórnios (startups avaliadas em US$ 1 bi ou mais) promoveram demissões em massa.

MAIS NÚMEROS

foram 1.251 aportes em startups latino americanas no ano passado, queda de 10% em relação a 2021.

- O recuo foi menor do que o registrado no valor total dos aportes porque os investidores passaram a procurar startups novatas, com rodadas menos custosas.

- No Brasil, o número de novos unicórnios despencou 80%. Depois do recorde de dez startups que atingiram esse patamar em 2021, foram apenas duas em 2022 -Neon e Dock.

CASO AMERICANAS NA JUSTIÇA

O rombo contábil de R$ 20 bilhões revelado ao mercado na semana passada pela Americanas chegou à Justiça.

- Na sexta (13), a varejista obteve uma liminar que a protege por 30 dias contra vencimento antecipado de dívidas, prazo que ela poderá usar para chegar a um acordo com credores ou pedir uma recuperação judicial.

- No domingo (15), o banco BTG Pactual, um de seus maiores credores, recorreu da decisão, de acordo com a agência Reuters.

O QUE EXPLICA

A empresa disse à Justiça que o rombo descoberto poderia gerar um "vencimento antecipado e imediato de dívidas em montante aproximado de R$ 40 bilhões".

- A companhia ainda afirma que já recebeu, na sexta, a primeira cobrança de um credor.

- O gatilho para a cobrança imediata das dívidas da varejista teria sido disparado porque, ao somar os R$ 20 bilhões do rombo aos R$ 20 bi de sua dívida bruta declarada, o indicador de dívida/Ebitda disparou de 1,7 vez para cerca de 8 vezes.

- O limite previsto em alguns contratos de financiamento é de 3,5 vezes.

EM NÚMEROS

nas contas da XP, a Americanas vai precisar captar, por meio de oferta de ações, valores entre R$ 12 bilhões e R$ 21 bilhões para atender seus credores.

RELEMBRE

- as "inconsistências" de R$ 20 bilhões aconteceram em uma operação chamada "risco sacado", em que a varejista se financia com o banco para pagar os fornecedores.

- O problema relatado por Sergio Rial, agora ex-CEO da companhia, é que esse empréstimo não aparecia no balanço como despesa financeira, e sim na conta fornecedores, uma classe diferente do balanço e que não altera o endividamento da companhia.

- Uma dúvida ainda não esclarecida, segundo contadores ouvidos pela Reuters, é se os juros dessas operações de risco sacado estão no balanço da varejista ou se o que foi registrado foi apenas o valor da mercadoria.

MAIS SOBRE O CASO AMERICANAS

- Histórico e experiência de Rial levantam dúvidas no mercado sobre se o executivo sabia ou não do rombo da varejista antes de assumir a empresa.

- Além da atual e antiga administração da Americanas, o questionamento vai bater mais uma vez na porta das auditorias, responsáveis por avaliar as contas das companhias abertas, escreve o colunista Marcos de Vasconcellos.

TIM COOK TERÁ CORTE NO SALÁRIO

O CEO da Apple, Tim Cook, pediu e verá sua remuneração cair em cerca de 40% em 2023 em relação aos dois últimos anos.

EM NÚMEROS

o pacote de remuneração de Cook, que envolve salários, plano de ações e outros benefícios, deve ser de US$ 49 milhões (R$ 229 milhões) neste ano.

- É um recuo ante os US$ 99,4 milhões (R$ 508 milhões) e US$ 98,7 milhões (R$ 504 milhões) de 2022 e 2021, respectivamente. Em 2021, sua remuneração disparou 569% em relação ao ano anterior.

Segundo a companhia, a decisão foi tomada a pedido do próprio CEO e também depois que 64% dos acionistas aprovaram o pacote salarial de Cook na reunião do ano passado, abaixo dos 94,9% do ano anterior.

A Apple, que foi uma das empresas de tecnologia menos atingidas pela inflação e juros altos, vem passando por meses de turbulência por dificuldades de produção em Zhengzhou, na China, onde está a maior fábrica de iPhones do mundo.

- A empresa chegou a ver seu valor de mercado ficar abaixo do patamar de US$ 2 trilhões na primeira semana do ano, mas recuperou terreno desde então e hoje vale cerca de US$ 2,15 trilhões. Mesmo com o corte salarial, Tim Cook seguirá como um dos CEOs mais bem pagos do mundo. Um estudo do ano passado mostrou que os salários milionários dos presidentes das empresas podem agravar a desigualdade.

CORRIDA POR RECEITA

Desde que assumiu o Twitter após ter de comprá-lo por US$ 44 bilhões, o bilionário Elon Musk tenta tirar as contas da rede social do vermelho.

- Depois de um agressivo corte de custos, que envolveu a demissão de cerca de 75% dos 7.500 funcionários, Musk agora mira na alta de receitas. Seu mais novo plano é vender nomes de usuários, em leilões online, com a ideia de comercializar os "arrobas" atrativos. Não está claro se a ideia seguirá adiante e se os usuários vendidos serão apenas os considerados inutilizados pela plataforma, segundo o New York Times.

Outra maneira de elevar a receita passa pelos anúncios na rede, no modo "pague 1, leve 2". Quem comprar uma propaganda no valor de até US$ 250 mil receberá uma veiculação equivalente ao dobro do preço pago, noticiou o Wall Street Journal.

Além de um jeito de engordar o caixa da plataforma, Musk também tenta atrair de volta marcas que deixaram a rede social depois que ele assumiu como CEO.