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Investigador infiltrado se passou por assessor da Prefeitura de Barra do Piraí para acompanhar reunião de oferta de vacinas

Rafael Nascimento de Souza
·4 minuto de leitura

RIO — Dez dias antes da Operação Sine Die — sem data, em latim —, os sócios da Montserrat Consultoria, que se diziam representantes da Oxford/AstraZeneca no país, se reuniram com o prefeito de Barra do Piraí, Mário Reis Esteves (Republicanos), em Recife, Pernambuco. Com autorização da Justiça, um policial civil da Delegacia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DCC-LD), fingiu ser um assessor do prefeito e participou do encontro, quando gravou toda a conversa. Os empresários tinham o objetivo de selar a venda de 45 mil doses do imunizante para a prefeitura do interior do estado do Rio. O acordo não foi concretizado.

O esquema criminoso só foi descoberto depois que Mário Reis Esteves desconfiou da fraude e informou à Polícia Federal. De acordo com os sócios da Montserrat Consultoria – que dizem ser intermediários da Ecosafe Solutions, com sede na Pensilvânia, nos Estados Unidos – a empresa americana tinha 500 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca, por, supostamente, ter financiado os estudos para a produção dos imunizantes. Pelo menos 20 prefeituras do país podem ter caído no golpe.

De acordo com o delegado Thales Nogueira Cavalcante Venâncio Braga, titular da DCC-LD, a reunião foi realizada no dia 12 de abril, após uma "carta convite" expedida pela Montserrat Consultoria.

No dia da conversa, segundo os investigadores, participaram da reunião Eduardo Henrique Meneses e José Klleber Queiroz Malaquias, ambos sócios da Montserrat, além de uma mulher e do agente infiltrado da polícia, que acompanhou o prefeito de Barra de Piraí.

O encontro aconteceu em uma sala compartilhada por duas das empresas dos investigados, a Montserrat Consulting e Hat Soluções Inteligentes, no empresarial Casa Forte Corporate, mesmo local onde foram cumpridos mandados de busca nesta quinta-feira, dia 22.

Ainda segundo os investigadores, Eduardo Henrique e José Klleber afirmaram no encontro que tinham negócios com a Oxford/AstraZeneca, "o que lhes conferiu o direito de receber vacinas contra o Covid-19 e que ora pretendem revender ao ente municipal”. A fala dos empresários foi usada na decisão que embasou os mandados de busca e apreensão.

Contatos pelo WhatsApp

Segundo a Polícia Civil, os criminosos entravam em contato com as prefeituras por e-mail ou WhatsApp, faziam as propostas e pediam que o pagamento fosse feito antecipadamente.

— Depois do contato eles mandavam uma minuta de contrato que exigia o pagamento antecipado ou por swift, que é uma remessa internacional, ou por carta de crédito internacional — diz o delegadoThales Nogueira Cavalcante Venâncio Braga.

A prefeitura de Barra do Piraí compraria 45 mil vacinas, contendo dez doses em cada frasco. A ampola teria o valor de US$ 7,90, o que daria aproximadamente R$ 44. Porto Velho começou a negociar a aquisição de 400 mil doses e investiu R$ 20 milhões. Já Duque de Caxias iria adquirir um milhão de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca no valor de R$ 43,5 milhões.

A polícia também descobriu que os dois sócios abriram, neste ano, duas empresas, cada uma com capital de R$ 7 milhões: VGL Administração de Participações, cujo proprietário é Eduardo Leal, e RWX Participações, de José Klleber.

Para a polícia, a Ecosafe Solutions não tem estrutura para ser capaz de fazer esse tipo de transação.

— A empresa que ela diz representar nos Estados Unidos é uma empresa recém-criada, que funciona num coworking, o que não é normal pra uma empresa desse porte, e várias inconsistências que levaram o Juízo da Primeira Vara Criminal Especializada do Rio de Janeiro a definir oito mandados de busca e apreensão, tanto na sede da empresa, aqui, quanto na residência dos sócios relacionados — informou o delegado.

Na operação desta quinta foram apreendidos documentos, celulares e computadores. Os donos da empresa serão intimados a depor posteriormente, depois que o material recolhido for periciado.

A Polícia Civil afirma que as próximas fases da operação serão para identificar os municípios que podem ter sido prejudicados pelos golpistas. Duque de Caxias, Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, e Porto Velho, em Rondônia, foram procuradas pelo bando. Somando apenas esses contratos, o golpe renderia quase R$ 70 milhões.

— Não temos informação de quantos municípios tenham assinado carta de intenção. Temos informações que o município de Caxias desistiu da intenção. Temos informações que o município de Barra do Piraí não fechou contrato. Mas, a gente não sabe a amplitude desse golpe. Não sabemos o prejuízo para a população brasileira. Não sabemos quantas pessoas vão ficar sem vacina, porque o dinheiro foi empregado para a compra de vacinas que não seriam entregues — afirmou o delegado Thales Nogueira.