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'Investigação é contraditória e está sendo usada como (ato) inquisitório', diz advogado de Flordelis

Rafael Nascimento de Souza
·4 minutos de leitura
A deputada federal Flordelis é apontada pela polícia como mandante da morte do marido
A deputada federal Flordelis é apontada pela polícia como mandante da morte do marido

O advogado da deputada federal Flordelis, apontada pela polícia como mandante da morte do marido, afirmou nesta segunda-feira que a investigação é "contraditória" e "espetaculosa". Anderson Rollemberg esteve nesta manhã na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) para obter informações que embasaram o pedido de prisão dos filhos e de uma neta da parlamentar. Segundo ele, sua cliente está sendo vítima de uma inquisição.

— Queremos saber quais são as provas para essas prisões tenham ocorrido e quais são os fundamentos para o indiciamento da deputada, já que a primeira fase dessa investigação passou longe de ter alguma prova que ela fosse a mandante. Essa investigação é contraditória, espetaculosa e está sendo usada como inquisição — disse Rollemberg.

O advogado afirmou ainda que a parlamentar "está abatida e bastante chateada por tudo que está acontecendo". Embora seja apontada como mandante da morte do pastor Anderson do Carmo, a deputada ainda não pode ser presa, porque a Constituição lhe garante imunidade prisional, exceto em casos de flagrante de crime inafiançável. Nesta segunda-feira, no entanto, equipes da DH e do Ministério Público do Rio (MPRJ) prenderam sete acusados de envolvimento no caso, entre eles cinco filhos do casal e uma neta. Flordelis chorou na chegada da polícia à sua casa, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

— A deputada tem com ela a inocência, e tudo isso será esclarecido. O que tenho a dizer é: ela é inocente e jamais mandaria (matar o pastor Anderson). Ela não tinha ingerência no dinheiro e desprovinha de interesses financeiros — afirmou o advogado de Flordelis.

Rollemberg criticou as prisões dos filhos e da neta de sua cliente e afirmou que a investigação cometeu um erro.

— Não há coerência e não faz sentido. Essa investigação está equivocada. A deputada não pode ser responsabilizada por um ato de terceiro, seja filho ou neto. Assim como na Lava Jato, eles estão pegando várias pessoas para que ambas se acusem. Volto a dizer: a deputada está chateada, e eu garanto que ela não tem envolvimento com a morte do pastor Anderson — disse Rollemberg.

Além de Flordelis, a denúncia do MPRJ aponta o envolvimento de outras dez pessoas no crime. Entre elas estão o ex-PM Marcus Siqueira Costa e sua mulher, Andrea Santos Maia. Segundo o documento do Ministério Público, Andrea teria agido como intermediária na carta em que um dos filhos de Flordelis, Lucas Cézar dos Santos de Souza, assumia falsamente a autoria dos disparos contra o pastor Anderson.

Carlos Melo, advogado do ex-PM e de Andrea, afirmou que seus clientes ajudarem na investigação e que a defesa foi pega de surpresa com o pedido de prisão preventiva da mulher. Segundo Melo, foi Flordelis procurou Andrea para que ela ajudasse a entregar materiais de higiene e roupas para o filho Lucas, que naquela ocasião estava preso em Bangu 9.

— Não tem necessidade (da prisão) porque ela facilitou todas as provas a investigação. Agora, fomos surpreendidos por um mandado de prisão sem fundamento. Foi ela que entregou documentos para a investigação — disse o defensor de Andrea.

Questionado se a deputada Flordelis usou a mulher do ex-PM para levar a carta para a cadeia, Carlos Melo diz que não houve essa triangulação não apuração do caso:

— Não houve essa conexão. O que houve foram: todas as informações e dados que ela tinha foram entregues na primeira fase da investigação. Ela sempre facilitou no inquérito. Vamos ver agora o que aconteceu e pedir a revogação.

Segundo as investigações, foi Andrea que levou uma carta feita pela deputada federal para que o filho Lucas assumisse toda a culpa do assassinato. O marido dela, na época, dividia cela com Lucas.

— Foi ela que trouxe o norte das cartas. Ela não nega a participação. Ela ajuda familiares de presos a levar kits de roupa e higiene para dentro do Complexo de Bangu. É uma ONG. Foi a deputada que procurou ela para uma ajuda humanitária. Não importa se é deputada ou não. Ela só quis ajudar o Lucas — destacou Carlos Melo.

Já Ângelo Máximo, que defendia a família do pastor Anderson do Carmo, afirmou que a prisão dos filhos de Flordelis ratifica a tese que ele sempre defendeu, de que a política estava na linha de frente do crime. Ele afirmou que a motivação do assassinato foi financeiro.

— Foi por dinheiro. Eu tenho certeza que ela é a mandante do crime. A Flordelis tentou se livrar das investigações, tentou calar o Lucas. No momento que ela influência nas investigações, isso mostra que a deputada tentou atrapalhar o caso — destacou o advogado.

Às 11h40m, uma psicóloga da parlamentar chegou a DHNSGI para visitar os filhos de Flordelis.

— Ela é inocente, mas está muito abalada com tudo isso. Vamos esperar as próximas horas — disse a profissional que não quis se identificar.