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Investidores voltam atenções para onda de protestos na Colômbia

Ezra Fieser

(Bloomberg) -- A Colômbia enfrenta os maiores protestos dos últimos anos depois que sindicatos, estudantes e grupos indígenas convocaram uma greve contra o impopular presidente Ivan Duque.

A polícia disparou gás lacrimogêneo em pelo menos uma área de Bogotá, e a TV local mostrou manifestantes vandalizando estações de ônibus na capital e também em Cali.

Fora isso, as manifestações se mostravam pacíficas, em sua maior parte, na manhã de quinta-feira, quando dezenas de milhares marcharam em direção à praça em frente ao Congresso da Colômbia. Alguns seguravam cartazes com os dizeres: “Contra as políticas neoliberais de Duque”, “Estudantes não são terroristas” e “Marcho pela paz”.

Os organizadores inicialmente convocaram a greve para pressionar Duque, que planeja reformar as leis trabalhistas e a Previdência. Mas o movimento se transformou em uma ampla rejeição do governo.

“Este protesto é para mostrar que o governo precisa ouvir as pessoas”, disse Diana Oviedo, 34 anos, que participou de uma manifestação na quinta-feira no parque nacional de Bogotá. “Estamos aqui para dizer aos líderes sociais que estão sendo ameaçados, aos trabalhadores, aos estudantes, a todos, que não estão sozinhos.”

Um sentimento antigoverno parecido tem alimentado protestos em toda a América Latina, com demonstrações em larga escala pressionando líderes a reverter programas de austeridade. Na Bolívia, o presidente Evo Morales foi obrigado a renunciar. Investidores estão precificando o risco de que a Colômbia também enfrente mais instabilidade política.

Estou acompanhando de perto. O governo tem algo para se preocupar”, disse Oren Barack, diretor-gerente de renda fixa da AGP Alliance Global Partners, em Nova York, que investe em títulos de dívidas soberana e corporativa da Colômbia. “Há muita tensão na América Latina no momento.”

Fronteiras

Os grupos protestam contra uma série de questões, como financiamento à educação, corrupção e assassinatos sem condenação de líderes sociais. O governo disse que vai fechar as fronteiras e permitir que autoridades locais tomem medidas como impor toque de recolher para controlar a violência.

Em resposta, Duque, 43 anos, defendeu seu histórico e se ofereceu para “ouvir todas as comunidades através de um diálogo permanente”. O gabinete do presidente também atacou, descrevendo muitas das queixas dos organizadores da greve como mitos e divulgado vídeos justapondo imagens de protestos violentos com imagens de pessoas trabalhando alegremente, pedindo aos colombianos que “construam, não destruam”.

Temor de investidores

Os títulos de dívida soberana do Equador, Chile e Bolívia sofrem com uma onda vendedora desde o início dos violentos confrontos. O custo de proteção contra um default da dívida soberana da Colômbia com swaps de crédito - um indicador de risco - registrou a maior alta das Américas esta semana.

Como os investidores “foram surpreendidos pelo que aconteceu no Chile, ficaram ainda mais preocupados com o que poderia acontecer na Colômbia”, disse Sergio Guzman, diretor da Colombia Risk Analysis, uma consultoria de Bogotá.

O descontentamento tem fervilhado silenciosamente no país, mas não se transformou em violência generalizada como a observada nos países vizinhos. A Colômbia enfrentou grandes manifestações em larga escala em 2013, durante uma greve agrícola em que grandes áreas do país foram paralisadas por bloqueios de rodovias, e edifícios no centro de Bogotá foram vandalizados por manifestantes mascarados.

--Com a colaboração de Oscar Medina.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Ezra Fieser Bogota, efieser@bloomberg.net

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