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Investidores esperam onda moderada de default corporativo na AL

Ezra Fieser e Pablo Gonzalez

(Bloomberg) -- Investidores se preparam para uma onda de defaults da dívida, mas alguns estão mais otimistas em relação a empresas da América Latina.

A desaceleração econômica causada pela propagação do Covid-19 certamente levará a um aumento da inadimplência no mundo todo, com governos e empresas em risco. Mas muitas companhias na América Latina já vinham reduzindo o endividamento e reforçando os balanços, o que as deixa mais bem posicionadas do que estavam em relação às desacelerações anteriores, como a crise financeira de 2008 ou o colapso dos preços do petróleo, que provocou defaults em 2015, disseram investidores.

Ricardo Navarro, responsável por renda fixa para a América Latina do Itaú Unibanco, espera taxas de default no intervalo de 5% a 10%, “a menos que as atuais restrições de fluxo de caixa se estendam até o fim de 2020”, disse.

Empresas aproveitaram as baixas taxas de juros nos últimos anos para refinanciar títulos que venceriam neste ano e, em grande parte, evitaram assumir novas dívidas. No ano passado, a relação de dívida líquida/Ebitda na região - uma medida importante de endividamento - estava no nível mais baixo desde 2011, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“Essas empresas reforçaram os balanços e passaram muito tempo ajustando os fundamentos, cuidando dos vencimentos de curto prazo. Portanto, o impacto será mais contido nos mercados emergentes do que no setor de alto rendimento dos EUA”, afirmou Jennifer Gorgoll, gestora que ajuda a administrar US$ 21,5 bilhões em dívidas de mercados emergentes na Neuberger Berman Group.

Jennifer espera uma taxa de default para emissores corporativos de mercados emergentes de alto rendimento em torno de 5%, abaixo da previsão para empresas de alto rendimento nos EUA, onde são esperadas taxas de default de 10% a 13%, impulsionadas pelo setor de energia, disse. Em crises anteriores, empresas de mercados emergentes registraram inadimplência acima de 7%, afirma.

Crédito vulnerável

Alguns setores, como o varejo, são mais vulneráveis do que outros, afirmou Roger Horn, estrategista sênior de mercados emergentes da SMBC Nikko Securities America, em Nova York. Ele destacou empresas como a Arcos Dorados Holdings, a maior franquia do McDonald’s, cuja nota de crédito foi colocada em revisão para rebaixamento pela Moody’s Investors Service em 1º de abril.

“É como se as repercussões econômicas do coronavírus estivessem se espalhando tão rapidamente quanto a própria pandemia. Na semana passada, o foco eram as ações dos governos na saúde pública e as consequências fiscais”, disse. “Mas agora está claro que haverá muitos, muitos setores atingidos - varejo e imobiliário são os próximos.”

Empresas de países em crise antes do surto terão dificuldade em acessar capital. A Argentina, que iniciou a reestruturação de US$ 69 bilhões em dívida externa, anunciou nesta semana que não vai pagar cerca de US$ 8,5 bilhões de dívida denominada em dólar sob legislação nacional, citando o Covid-19 como a causa principal. As empresas devem seguir o mesmo caminho.

A queda da demanda “terá um impacto negativo nas empresas de médio porte, focadas no consumo doméstico e que operam com capital de giro negativo, após quatro anos de baixo - ou nenhum - crescimento econômico”, disse Federico Mac Dougall, da Deloitte Touche Tohmatsu, que foi contratado para liderar a unidade de reestruturação na América do Sul antes do esperado aumento das atividades.

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