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Investidores com US$ 3,4 tri compram hotéis, gasodutos em Covid

David Ramli, Suzy Waite e Matthew Burgess
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- Hotéis, gasodutos, lojas de conveniência e títulos de montadoras estão entre os ativos comprados por algumas das maiores gestoras de ativos do mundo, enquanto buscam valor em um mundo abalado pela pandemia de coronavírus.

Em entrevistas com fundos soberanos, empresas de pensão e gestoras de ativos da Ásia e Europa que administram no total cerca de US$ 3,4 trilhões, uma coisa ficou clara: muitos deles têm evitado o mercado acionário superaquecido.

A perspectiva mais frequente é de cautela. Os investidores estão cientes de que grande parte da recuperação dos mercados e valuations de empresas privadas se deve às baixíssimas taxas de juros, aos enormes estímulos de bancos centrais e ao apoio fiscal de governos, alguns dos quais podem começar a ser reduzidos nos próximos meses.

Com os valores dos ativos ainda vistos como inflados, mesmo em alguns setores com alta demanda, como saúde e tecnologia, muitos esperam uma possível segunda crise após o fim das medidas de estímulo, mas antes que as vacinações em massa permitam que as economias reiniciem sem o risco de contágio generalizado.

Confira alguns ativos no radar de investidores:

Lojas de conveniência, gasodutos

O GIC, fundo soberano de Cingapura, está de olho em áreas “menos amadas”, do varejo à infraestrutura, cujos valuations foram afetados pela pandemia, disse o CEO Lim Chow Kiat, quando a empresa divulgou a revisão anual no fim de julho.

Em dois de seus maiores negócios neste ano, o GIC fez parte de um consórcio que adquiriu uma participação de 49% em gasodutos da ADNOC por US$ 10,1 bilhões. No mês passado, se uniu ao grupo australiano do setor imobiliário Charter Hall em uma aquisição de 682 milhões de dólares australianos (US$ 500 milhões) de mais de 200 lojas de conveniência em postos de gasolina.

Cadeia de suprimentos

O fechamento das fronteiras globais pode ser apenas temporário, e o comércio tem se recuperado lentamente, diz Didier Borowski, responsável por visão global da Amundi, maior gestora de ativos da Europa que administra cerca de US$ 1,9 trilhão.

No entanto, o gestor prevê que os setores farmacêutico e de saúde irão realocar a produção de alguns bens essenciais para evitar a dependência de um país. Ainda assim, Borowski diz que seria muito caro e pouco econômico levar tudo para casa.

“Este é o fim da globalização desenfreada, não o fim da globalização”, disse em entrevista no início do mês.

Staycations

Com as restrições de viagens limitando os planos de férias, as chamadas “staycations” - trocadilho em inglês para viagens ou folgas curtas perto de casa - estão de volta na agenda, diz Will James, vice-chefe de ações europeias da Standard Life Aberdeen, cuja equipe administra o equivalente a cerca de US$ 11 bilhões.

A gestora investiu na Thule Group, fabricante sueca de bicicletários e porta-bagagens de teto para carros, cujas ações quase dobraram de preço desde o final de março.

“Em vez de ir para a praia no exterior, as pessoas ficam em casa para dirigir pelo país”, disse em entrevista no fim do mês passado.

As ações do setor de aviação, como da Airbus, poderiam “se recuperar muito agressivamente” se uma vacina for encontrada, embora alerte que ainda não está claro se o mundo algum dia voltará a ser como era antes.

Títulos de montadoras

Títulos são um dos grandes ativos “não amados” da crise de Covid, diz Andrew McCaffery, diretor de investimento global da Fidelity International, que administra cerca de US$ 437 bilhões.

Os títulos de montadoras são particularmente atraentes com o aumento da produção automotiva e mais pessoas que dirigem para evitar o transporte público, disse em entrevista no início do mês.

“Se você olhar para os spreads de crédito, se deslocaram para níveis que tornam os títulos de algumas montadoras globais relativamente atraentes”, disse, citando Ford e Nissan como exemplos. “Esses títulos não são amados, especialmente quando você considera que houve um aumento no uso do carro em comparação ao transporte público.”

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