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Investidores atentos à oferta de minas da AL com avanço de vírus

James Attwood, Peter Millard e Krystal Chia
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Investidores atentos à oferta de minas da AL com avanço de vírus

(Bloomberg) -- A decisão do governo da China de fechar fábricas após o Ano Novo Lunar assustou grandes mineradoras do Brasil e do Chile, fornecedoras de matérias-primas para o país asiático. Agora, enquanto a China reabre a economia e a América Latina se torna o novo epicentro de coronavírus, o foco da preocupação, antes na demanda, agora está na oferta.

Na semana passada, a Vale precisou evitar uma tentativa do Ministério Público de fechar um complexo que responde por um décimo da produção. Um sindicato da gigante de cobre Codelco disse que trabalhadores estão preocupados com a possibilidade de um pequeno surto do vírus se espalhar.

Os alarmes soam novamente nos mercados de metais quando o surto explode na América Latina. A região altamente urbanizada, com população de 600 milhões, agora responde por cerca de 40% das mortes diárias por coronavírus no mundo todo. A crise de saúde coincide com a recuperação da demanda chinesa e oferta apertada. O Chile é o maior exportador de cobre, e o Brasil é o segundo maior exportador de minério de ferro.

“Os problemas de fornecimento de minas causados pelo Covid-19 na América Latina ainda estão longe de terminar”, disse Wenyu Yao, estrategista sênior de commodities do ING Bank, em entrevista por telefone de Londres. “O Chile é uma grande incerteza agora.”

Até o momento, pesos-pesados da mineração como Vale e Codelco conseguiram manter as operações durante o surto, adotando medidas para manter a segurança de trabalhadores sem afetar a produção. Outras minas na região que foram fechadas agora estão reabrindo. Mas o setor havia sido ajudado por taxas relativamente baixas da doença nas maiores populações. Esse não é mais o caso.

O Brasil superou os EUA em novos casos de coronavírus na semana passada, e a doença agora se espalha em estados do norte como o Pará, responsável por 8% da oferta global de minério de ferro. Em abril, a Vale cortou o guidance de exportações devido às condições climáticas e ao impacto do vírus nas operações.

O Covid-19 também atingiu o setor de processamento de carne no Brasil. Na semana passada, a JBS recebeu ordem para paralisar uma unidade de abate em Rondônia, o primeiro fechamento de uma instalação de carne bovina no país. O petróleo brasileiro também foi atingido, com quase 500 casos confirmados e uma morte entre trabalhadores offshore, embora a produção não tenha sido afetada.

“O surto de Covid-19 no Brasil cria riscos tangíveis ao fornecimento de minério de ferro nas próximas semanas, apesar de a mineração poder operar como atividade essencial”, disseram analistas do Citigroup como Tracy Liao em relatório. “O aumento de infecções entre trabalhadores pode levar mineradoras ou autoridades locais a imporem mais quarentenas draconianas, o que poderia limitar a produtividade ou até fechar minas.”

Enquanto isso, os estoques portuários de minério de ferro na China continuam em queda e a demanda por aço melhorou significativamente nos últimos dois meses no país asiático, refletida na redução de estoques. Embora os preços possam permanecer elevados por mais tempo, o Citigroup mantém sua visão de baixa, com previsão de que as cotações caiam para US$ 70 a tonelada até o fim de 2020 diante da expectativa de que a Vale administre bem o surto.

Em resposta a perguntas, a Vale reiterou o guidance de produção anual de 310 milhões a 330 milhões de toneladas, o que leva em conta os riscos da pandemia, como maior absenteísmo e possibilidade de restrições mais rigorosas no Brasil. A empresa também ofereceu apoio financeiro à cadeia de suprimentos e equipamentos de saúde importados para as regiões onde atua. Assim como a Codelco, a Vale implementou medidas de distanciamento social, higienização no local de trabalho, triagem e testes.

“Existe risco - como a pandemia emergir nos distritos de mineração”, disse o analista Cesar Perez, do BTG Pactual. “Poderia haver uma possibilidade de o governo se tornar restritivo, mas, como as empresas têm sido estratégicas, o risco de interrupções significativas da produção ainda está distante por enquanto.”

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