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Investidores agem com cautela no início da semana de decisões nas políticas monetárias mundiais

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 24-01-2019: Cédula de um dólar. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 24-01-2019: Cédula de um dólar. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar avançava frente ao real nos primeiros negócios desta segunda-feira (19), com investidores adotando cautela no início da semana que trará decisões de política monetária dos bancos centrais tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos.

Às 9h08 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,57%, a R$ 5,2911 na venda.

Na B3, às 9h08 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,67%, a R$ 5,3075.

Investidores esperam uma forte alta dos juros de referência nos Estados Unidos. O Fed (Federal Reserve, banco central americano) divulgará na próxima quarta-feira (21) um novo ajuste na sua taxa.

Na semana passada, os mercados globais refletiram temores de que a inflação nos Estados Unidos poderá obrigar o país a elevar juros ao ponto de provocar um tombo da economia mundial nos próximos meses.

Depois do susto do início da semana com um índice de preços ao consumidor americano surpreendentemente alto, o novo símbolo do medo da recessão foi o tombo de mais de 20% das ações da FedEx na sessão desta sexta-feira (16) na Bolsa de Nova York.

Gigante do ramo de entrega expressa de correspondência, documentos e objetos, a companhia americana Federal Express informou na véspera ter sofrido uma rápida queda nos volumes de embarque nas últimas semanas à medida que as tendências macroeconômicas pioraram.

O esfriamento da entrega de mercadorias em escala global oferece evidências de que a economia mundial pode estar em terreno instável, disseram analistas ao The Wall Street Journal.

Um dos efeitos imediatos do agravamento desse temor é a saída de dólares dos mercados emergentes, como o brasileiro, em direção a aplicações consideradas seguras, como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

O dólar comercial subiu 2,19% no câmbio brasileiro na semana passada, cotado a R$ 5,26.

O mau humor também respingou nas ações domésticas. Referência da Bolsa de Valores do Brasil, o índice Ibovespa caiu 2,69% na semana.

Em Wall Street, os principais indicadores do mercado americano fecharam a semana em baixa. O Dow Jones, que acompanha o desempenho de 30 das maiores empresas dos EUA, afundou 4,13%. Já o S&P 500, parâmetro para as ações negociadas em Nova York, desmoronou 4,77%.

Há duas semanas, o mercado esperava uma alta entre 0,50 e 0,75 ponto percentual na taxa de juros do Fed. Mas agora há a expectativa para uma elevação entre 0,75 e 1 ponto percentual.

Perspectivas sobre os juros pioraram após a divulgação na última terça-feira (13) de que a inflação nos EUA subiu 0,1% em agosto, acumulando 8,3% em 12 meses.

Analistas de mercado esperavam que o CPI, sigla em inglês para índice de preços ao consumidor, mostrasse deflação de 0,1% no mês e, no acumulado em 12 meses, queda de 8,5% para 8,1%.

Provocada pela quebra das cadeias de abastecimento durante a pandemia e agravada pela Guerra da Ucrânia, a inflação é um problema para as principais economias.

Na zona do euro, a inflação atingiu recorde de 9,1% em agosto, confirmou o escritório de estatísticas da União Europeia Eurostat nesta sexta. A alta foi impulsionada pela disparada de preços de energia e alimentos, informou a agência Reuters.

Embora especialistas reconheçam a necessidade de elevação dos juros para evitar uma disparada ainda maior nos preços, a persistência da inflação vai impondo um cenário em que os juros podem subir ao ponto de provocar uma grave recessão com potencial de se espalhar pelo globo.