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Investidor busca pechinchas e leva Ibovespa de volta aos 91 mil pontos

Marcelle Gutierrez

A reabertura de economias afetadas pela pandemia de covid-19 favorece ativos de risco pelo mundo. Por aqui, a melhora do humor vinda do exterior e certa calmaria no campo político levam o investidor a procurar “pechinchas” no mercado, principalmente as ações que mais caíram com a crise.

Assim, o Ibovespa fechou na máxima do dia, aos 91.046 pontos, após ajustes — alta de 2,74%. Em nenhum momento o Ibovespa operou no negativo, chegando à mínima de 88.622, estável ante o pregão de ontem.

O forte volume de negócios — R$ 22,45 bilhões, acima da média diária de maio, de R$ 20,36 bilhões — demonstra o apetite renovado dos compradores..

Os destaques na sessão de hoje são justamente algumas das ações mais afetadas pela crise provocada pela pandemia. Foi o caso de CVC Brasil ON e GOL PN, que avançaram 20,00% e 15,70%, respectivamente. Apesar da recuperação recentes, esses papéis ainda acumulam perdas no ano, de 57,3% no caso da CVC e de 58,9% da Gol.

No ápice da pandemia, em março, houve fuga do investidor para ativos mais seguros, como dólar e ouro, por exemplo. Agora, ocorre um movimento inverso, segundo profissionais, com o interesse voltando para ativos de maior risco e retorno, já que estão com preços baixos após o forte movimento vendedor durante a crise.

“Os países estão saindo do lockdown, há pouca evidência de uma segunda onda [de contaminação pela covid-19] e dados macroeconômicos estão vindo melhores. Isso está incentivando a tomada de risco em ativos que foram castigados pela crise”, comenta um gestor, que prefere não ser identificado.

E o movimento não foi exclusivo da bolsa brasileira, mas também de outros emergentes. O EEM, principal fundo de índice (ETF) de mercados emergentes negociado em Nova York, subiu hoje 2,38%.

No cenário doméstico, turbulências no campo político chegaram a deixar os investidores mais receosos, principalmente no fim de abril e início de maio, quando saíram os ministros da saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Justiça, Sergio Moro. Nos últimos dias, porém, a ausência de novos confrontos traz certo alívio.

Ilan Arbetmam, analista da Ativa Investimentos, comenta que há um descompasso entre o desempenho dos ativos financeiros com a economia real brasileira. Segundo ele, o frenesi hoje ocorre pela busca do investidor por “barganhas”.

“Vemos ânimo por parte dos investidores, mas sem dados por aqui que suportem esse frenesi. Vejo certa desconexão dos ativos financeiros com a economia real. Existe a volta ensaiada da economia em alguns estados, como em São Paulo e Rio de Janeiro, mas vejo esse movimento mais como uma busca por oportunidades em um ambiente de juros baixos”, declara o analista.

A recuperação dos preços das commodities também favorece papéis de peso no Ibovespa. Petrobras ON e PN representam quase 10% do índice e fecharam hoje em alta de 4,34% e 5,26%, em linha com o petróleo, cujo contrato Brent para agosto teve um avanço de 3,26%, a US$ 39,57 o barril.

Os preços do petróleo fecharam no maior nível desde o início de março, com notícias de que os principais produtores planejam estender os cortes de produção para até 1º de setembro.

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