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Você sabe o que é invasão de espaço virtual? Entenda este problema do home office

Natália Eiras
·4 minuto de leitura
Os limites que o home office também exige (Foto: Getty Images)
Os limites que o home office também exige (Foto: Getty Images)

Em home office desde o início da pandemia, o engenheiro Roberto*, 27, publicou, em seu Instagram, uma foto do seu jantar preparado após o expediente no trabalho. Poucos minutos depois, a imagem, compartilhada nos stories, recebeu uma resposta. De seu chefe.

“Ele aproveitou que estava online no aplicativo para perguntar uma questão profissional teoricamente urgente, mas que poderia esperar até o dia seguinte”, diz o profissional. A iniciativa de seu patrão o deixou desnorteado. “Já não estava mais no meu horário, mas, mesmo se estivesse, eu me senti completamente desrespeitado pela situação.”

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A “falta de noção” do chefe de Roberto tem nome: invasão do espaço virtual. Quando você extrapola limites entre vida pessoal e profissional virtualmente. Este tipo de conduta já acontecia antes da pandemia.

Mandar mensagens sobre trabalho no WhatsApp pessoal ou em horários inapropriados são exemplos de invasão. Mas ela ficou muito pior com boa parte da população trabalhando de casa.

“É um reflexo do fato de ainda termos profissionais completamente despreparados para a gestão do trabalho remoto, que não aprenderam a lidar com a nova realidade e continuam achando que ‘a pessoa, em casa, não está trabalhando’ ou que ‘posso pedir tal coisa, ele está em casa fazendo nada’”, afirma Du Migliano, fundador do aplicativo 99 Jobs, e professor da Fundação Getúlio Vargas.

Há, ainda, uma dificuldade em delimitar limites práticos no ambiente digital. “Agora, temos um espaço para tudo, o online. E as empresas estão pouco preparadas para o trabalho remoto. Muitas não têm ferramentas adequadas para gestão remota, como o Slack, e não conseguiram investir nisso durante a pandemia. Aí vem a falsa ideia de que ‘ah, se eu tenho o fulano no Facebook, por que não mandar uma mensagem aqui?’”.

Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Gestão e palestrante do TEDx, diz que há muitas razões para que um gestor ou um colega acabe invadindo o espaço virtual de outras pessoas. “Pode estar atrelado à mostrar serviço, ascendência de poder, se mostrar ocupado ou simplesmente não respeitar o espaço dos outros”, diz. Porém, há também um fator de desconhecimento sobre qual canal é mais interessante para tratar de cada assunto. “Além da falta de estabelecimento de políticas corporativas. É fundamental ter esse diálogo na empresa”.

Por que incomoda tanto?

Se estamos vivendo em uma época hiperconectada e, com a quarentena, as nossas relações profissionais se restringiram ao virtual, por que Roberto ficou tão incomodado? “A pessoa se sente desconfortável e entende que, por exemplo, se ela estiver de férias poderá ser acionada a qualquer momento pelas redes sociais, mesmo com o e-mail corporativo indicando a ausência em determinado período”, fala Arthur Igreja.

Além do chefe estar invadindo um espaço de lazer de seu funcionário, Du Migliano pontua, que esta conduta pressiona o colaborador ou colega de trabalho. “Se a mensagem for enviada por um líder e/ou supervisor, a pessoa vai se sentir obrigada a responder naquele mesmo horário”, diz o fundador da 99 Jobs. “Ela vai ficar acuada. Se você está ‘trabalhando’ fora do expediente, ela pode entender que também deveria estar. Por mais bem intencionada que seja a sua dúvida ou mensagem em um horário não convencional, vai rolar uma pressão.”

E é importante, por uma questão prática, que os pedidos profissionais fiquem restritos aos canais de comunicação oficiais oferecidos pelas empresas. “A rede social é algo pessoal e é ruim de gerenciar demandas. O email é bonito, organizado e funciona direitinho, além de várias outras ferramentas de bate-papo que são criadas para esse tipo de conversa”, fala Migliano. Igreja comenta, ainda, que há uma questão legal envolvida. “[Mandar mensagens por canais pessoas] cria confusão para a empresa, pois podem ocorrer tomadas de decisão e fica bem mais difícil de ter registro da informação e abre espaço para processos trabalhistas”, complementa o especialista.

Como evitar?

Pode parecer confuso delimitar o que é pessoal e profissional na internet, mas na verdade é simples se você tem bom senso. “Um bom filtro pode ser se questionar se seria adequado ter essa interação da maneira que ela está ocorrendo no ambiente digital”, fala Arthur Igreja. Você pararia o seu colaborador no meio de um jogo de futebol para pedir alguma demanda? Talvez não. “E se questionar, também, se determinado comentário seria feito pessoalmente. A internet não pode ser considerada um outro reino. É um canal diferente, mas as premissas são as mesmas.”

Leve em consideração, também, se uma mensagem é realmente tão urgente para ser enviada como resposta a um Stories de um prato de comida, como foi o caso do Roberto. “É algo que você precisa de resposta naquela hora?”, comenta Du Migliano.

Caso você seja a pessoa que está tendo seu espaço invadido, o fundador da 99 Jobs sugere que você comece a pontuar que não vai responder à demanda naquele momento. “Diga que está longe do computador e que virá mais tarde ou que a pessoa mande o assunto pelo e-mail para que você se organize melhor”, fala Migliano. Se o colega não se tocar, talvez o silêncio seja a melhor resposta.

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