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A Internet está morta? Esta teoria da conspiração bizarra diz que sim

·7 minuto de leitura

Hoje, é bem provável que você já tenha conferido seus apps de mensagens e dado uma olhada no que se passa nas redes sociais. Tudo parece normal nesta segunda-feira (6), correto? Normal demais, até: pessoas interagem nos tuítes, posts ou stories como sempre, compartilham memes e anúncios pipocam no feed das principais plataformas da web.

Fora uma queda ou outra, a rede segue esse fluxo diariamente — isso já soou estranho para você em algum momento? Para alguns conspiracionistas, sim. Uma teoria da conspiração no mínimo bizarra foi levantada recentemente e começa a ganhar corpo na parte anglófona da web, a de que a internet teria “morrido” anos atrás e o que o mundo vê hoje é, na verdade, uma rede orquestrada por inteligências artificiais a mando de governos e grandes corporações.

Você garante que é um humano na internet, né? (Imagem: Reprodução/ Glenn Carstens-Peters/Unsplash)
Você garante que é um humano na internet, né? (Imagem: Reprodução/ Glenn Carstens-Peters/Unsplash)

Parece doido, mas essa teoria maluca, batizada de Dead Internet Theory (ou “Teoria da Internet Morta”, em português) foi impulsionada pelo comportamento estranho de algumas contas do Twitter. De acordo com essa ideia, perfis com ações totalmente normais para um adolescente, como fazer relatos repetitivos sobre sua rotina ou os seus gostos, não seria dignas de acumular milhares de curtidas e compartilhamentos; sendo assim, isso só pode ser obra da interação entre robôs nas redes sociais e indício de uma grande conspiração.

Como assim a internet morreu?

De acordo com a história publicada no fórum Agora Road’s Macintosh Cafe, o que o mundo acessa hoje é apenas uma ilusão sobre o que a internet foi anos atrás; a rede mundial de computadores em si teria deixado de existir como a conhecíamos em algum momento entre 2016 e 2017. Depois desse período, bots em conjunto com influenciadores digitais financiados por governos seriam responsáveis por manter as aparências.

A teoria alega que a internet não é mais composta por pessoas há anos, especialmente o que há nas redes sociais (Imagem: Jeremy Zero/Unsplash)
A teoria alega que a internet não é mais composta por pessoas há anos, especialmente o que há nas redes sociais (Imagem: Jeremy Zero/Unsplash)

O objetivo desta encenação seria basicamente o mesmo de quase todas as demais conspirações ultrassecretas que nos controlam por aí: fazer o mundo seguir no seu fluxo de consumo desenfreado. “A internet parece vazia e sem pessoas, também é desprovida de conteúdo. Comparada com a internet de, digamos, 2007 (ou antes), a rede de hoje é totalmente estéril. Não há para onde ir e nada mais para fazer, ver, ler ou experimentar. Tudo implodiu em um punhado de sites absolutamente normais”, relata o usuário que curiosamente assina como IlluminatiPirate.

O autor da teoria (ou ao menos o seu principal divulgador ali naquele espaço) continua seus comentários indignados relatando sua experiência negativa com publicações e notícias relacionadas ao uso de bots em redes sociais e a suposta ação de agências de inteligência dos Estados Unidos na internet.

Um balão de ar quente

Os argumentos do conspiracionista se costuram na ideia de que a internet pode parecer gigante, “mas é como um balão de ar quente, sem nada dentro”. Suas premissas básicas pairam sobre o comportamento fora do comum ou "estranhamente igual" de sites e fóruns da internet. O autor afirma, por exemplo, que seus antigos colegas virtuais sumiram repentinamente, sem qualquer aviso ou rastro. "Eu costumava estar em constante contato com um grande número de pessoas em vários sites. Ao longo dos anos, cada uma delas desapareceu sem deixar vestígios", explica.

Com o tempo e anos navegando pela internet, o autor da teoria afirma ter testemunhado perfis agindo de forma inusitada em fóruns online, como o 4chan — o que, convenhamos, não chega a ser uma surpresa. Esses anônimos recheavam os tópicos com inglês gramaticalmente correto, mas questionavam assuntos totalmente banais e subjetivos, como se tentassem entender emoções de posts e como as pessoas se sentiam ao interagir com eles.

A indústria do entretenimento também estaria praticamente automatizada a essa altura, segundo IlluminatiPirate. Hits musicais estariam sendo compostos por efeitos de suavização de voz, contos de ficção seriam criados por máquinas e filmes estariam sempre tentando atender o gosto médio de todo mundo o máximo possível. Algo semelhante aconteceria no YouTube, mas lá os vídeos supostamente são protagonizados por atores e políticos que poderiam não existir na vida real.

Há um fundo de verdade?

Estaria, então, a internet dominada por bots e tudo (ou quase tudo) seria produzido por inteligência artificial? Por enquanto, não — este texto, por exemplo, é escrito por um ser humano de verdade. A inteligência artificial já está em passos bem avançados e, sim, se programada com o objetivo de gerenciar um perfil de rede social, cumpriria essa missão sem problemas. Além disso, já existem tecnologias que se candidatam como futuras sucessoras de jornalistas e redatores mundo afora.

O Twitter é uma das redes sociais que mais sofre com a presença de contas automatizadas que tentam manipular os assuntos do momento (Imagem: Brett Jordan/Pexels)
O Twitter é uma das redes sociais que mais sofre com a presença de contas automatizadas que tentam manipular os assuntos do momento (Imagem: Brett Jordan/Pexels)

É claro que há uma base real na qual IlluminatiPirate parece se apoiar para elaborar suas ideias — o que não torna a teoria mais crível ou menos absurda. Bots na internet são realmente um problema para as redes sociais, por exemplo, e já há bastante tempo — o Canaltech falou disso ainda em 2014. O comportamento dos assuntos do momento do Twitter é outro exemplo de algo que pode ser manipulado por contas automatizadas com certa facilidade, mesmo que a plataforma tente conter a ação contínua desses perfis falsos.

Em 2017, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostrou que 20% das discussões sobre política no Twitter eram iniciadas ou incitadas por bots, justamente com o objetivo de aquecer o debate (nem sempre com argumentos bem construídos). No Facebook, a atuação de contas automatizadas também é um problema e, só em 2019, centenas de milhões de perfis falsos foram retirados do ar.

É difícil julgar quem é de verdade e quem não é na internet, tanto quanto a própria identidade quanto o fato de ser humano ou não. A prática mais interessante para julgar esse tipo de perfil é observando suas atitudes na plataforma: a conta republica postagens de maneira recorrente sobre um conteúdo polêmico específico? A pessoa só interage na rede para gerar caos e discussões desnecessárias e mesmo assim tem centenas ou milhares de seguidores? Se sim, é bom desconfiar.

A internet mudou — e muito

A possível grande verdade por trás de tudo, no final das contas, parece bem mais simples: a internet mudou muito nas últimas décadas — e por várias razões. Quem está na rede há mais tempo pode dizer com propriedade que a web, hoje, é absurdamente diferente do que era há 10 ou 20 anos.

Redes sociais surgiram e sumiram, e a forma de interagir e de consumir conteúdo online mudou muito; portais de notícias chegaram ao fim e muita coisa acontece diariamente em diversos âmbitos da sociedade — tecnologia, política, fofoca, entretenimento, ciência... Os hábitos mudaram, as pessoas mudaram e a internet por um lado só acompanhou e em parte também é motor dessas mudanças.

O TikTok é um caso recente de rede social que explodiu recentemente, recebendo milhões de pessoas em um curtíssimo período de tempo (Imagem: Alexander Shatov/Unsplash)
O TikTok é um caso recente de rede social que explodiu recentemente, recebendo milhões de pessoas em um curtíssimo período de tempo (Imagem: Alexander Shatov/Unsplash)

Além disso, o que faz sucesso em uma plataforma também corre o risco de fazer em outras, então é provável que virais do TikTok pipoquem no Twitter, no Facebook e no Instagram, por exemplo. As pessoas gostam de ver suas próprias publicações e "achados" na rede fazendo sucesso e acumulando likes. E de certa forma as redes sociais favorecem esse comportamento, já que constroem recursos parecidos ou idênticos — Instagram Reels é o equivalente ao TikTok, o formato de stories surgiu no Snapchat e atualmente está até no WhatsApp e por aí vai.

O conspiracionista da teoria da internet morta retrata, de forma exagerada e cinematográfica, que a internet é repetitiva — e ele não está errado. Isso acontece justamente porque a rede cresceu muito e que o gosto popular é compartilhado por milhões de pessoas (ou por milhões de bolhas que reúne dentro de si algumas milhares de pessoas reunidas ali com ajuda dos algoritmos). O que o autor se esquece, portanto, é que a internet antes era uma vila povoada por dezenas de milhares de cidadãos, mas hoje é ocupada por bilhões deles.

Há espaço para inovação? Sempre há, mas esses serão pontos cada vez mais fora da curva e é necessário ser atento para encontrá-los. Sendo assim, não é estranho ter aquela ideia de "acho que eu já vi isso antes" na cabeça dos usuários da web.

Mas dá para garantir que aqui no Canaltech os textos são produzidos por pessoas de verdade (e isso não deve mudar tão cedo). O conteúdo presente na web pode ser, de fato, repetitivo e “estranhamente normal”, mas é assim que as coisas se estabeleceram agora, diferente do que era a internet nos anos 2000, o que deve mexer com a imaginação dos mais nostálgicos.

Fonte: Canaltech

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