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Intenção de consumo em novembro atinge maior patamar em 6 meses, diz CNC

Alessandra Saraiva

Segundo economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o resultado sinaliza consumo em alta até o fim do ano Impulsionada por cenário de inflação e juros baixos e expectativa de saques em FGTS e PIS/PASEP, a intenção de compras do brasileiro atingiu, em novembro, maior patamar em seis meses. É o que mostra a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ao anunciar aumento de 1,3% no índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) entre outubro e novembro, para 95,2 pontos – maior patamar desde maio deste ano (95,5 pontos).

Segundo Antonio Everton, economista da CNC, o resultado sinaliza consumo em alta até o fim do ano. A projeção da entidade é de aumento de 5,2% nas vendas do comércio varejista ampliado (que inclui automóveis e construção) este ano, ante 2018. Além de ser superior à alta observada no ano passado (5%) seria o maior taxa de elevação em volume de vendas do varejo ampliado em sete anos, informou Everton.

O especialista comentou que, em novembro, os sete tópicos componentes do ICF mostraram aumento ou estabilidade, em todas as comparações – algo que não ocorria desde agosto deste ano. É o caso de emprego atual, com alta de 1% ante outubro e expansão de 4,2% em relação a novembro de 2018; perspectiva profissional, com elevações de 0,5% e de 4,2% nas mesmas comparações; renda atual, com aumentos de 1,4% e de 8,5%; compra a prazo, com estabilidade e alta de 12,1%; nível de consumo atual, com taxas de elevação de 0,1% e de 6,7%; perspectiva de consumo, com altas de 2,3% e de 12,4%; e momento para duráveis, com taxas de variação positivas de 4,5% e de 18%.

“Há sinais de retomada na economia e o consumo tem expectativa de aumento de demanda com a Black Friday e Natal”, disse o especialista.

Ele observou ainda que houve sinais de melhora no mercado de trabalho, o que também tem impacto positivo na renda. O IBGE informou que a taxa de desemprego diminuiu de 12% no trimestre finalizado em junho para 11,8% no trimestre encerrado em setembro.

Outro aspecto mencionado pelo técnico foi aumento em oferta e em demanda de crédito à pessoa física, o que indica não somente espaço no orçamento para endividamento, como também favorece compras. “E a inflação baixa é uma boa condição para elevar consumo”, acrescentou ele. Em 12 meses até outubro o IPCA está em 2,54%, de acordo com as últimas informações do IBGE.

Projeção

Ao ser questionado sobre trajetória futura do indicador, o técnico não descartou continuidade de ambiente com consumo em alta até o fim do ano. Além das possibilidades de saque de FGTS e PIS/PASEP, o consumidor também tem outros fatores que ajudam a elevar o poder aquisitivo, como pagamento do 13º salário e de bonificações, que sempre ocorrem no quarto trimestre. “Não conseguimos ver essa variação [do ICF] como negativa até o fim do ano”, afirmou ele.

No entanto, o economista fez uma ressalva. Não há como saber se o consumo continuará em trajetória de alta no começo de 2020. O técnico lembrou que, historicamente, os meses de janeiro contam com várias despesas extras como pagamento de IPTU, IPVA e outras taxas. “Precisamos esperar para ver como vai ser a evolução [do ICF em 2020]”, afirmou ele.