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Inteligência artificial do Google promete transformar a apuração jornalística

·3 minuto de leitura

Lançado em outubro do ano passado, o Google Pinpoint é uma ferramenta online para ajudar na apuração de fatos e organização de dados para fins jornalísticos. Além de funcionar como uma mesa de trabalho para os profissionais da mídia, o sistema permite pesquisar em milhares de documentos de interesse público graças a uma inteligência artificial capaz de ler manuscritos, transcrever arquivos de áudios e fazer uma varredura em busca de informações mais relevantes sobre determinado assunto.

O Pinpoint faz parte do ecossistema Journalist Studio, uma suíte de aplicações da Google News Initiative (GNI) projetada para apoiar a atividade de jornalistas em todo o mundo. O objetivo, segundo a companhia, é otimizar a rotina das redações e valorizar o tempo dos profissionais de imprensa, já que a pesquisa vasculha grandes volumes de conteúdo em pouquíssimo tempo.

O PinPoint reúne base de dados de jornais como o The Washington Post e da Abraji (Imagem: Captura de tela/Canaltech)
O PinPoint reúne base de dados de jornais como o The Washington Post e da Abraji (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) anunciou que publicará duas grandes coletâneas de documentos de interesse público na plataforma todos os meses para incentivar o uso da plataforma pelos profissionais. A decisão teria sido formalizada em parceria com a GNI e divulgada na 16ª edição do Congresso da Abraji, na semana passada.

Hoje, o Pinpoint já oferece bases de dados disponibilizadas por redações de veículos jornalísticos dos Estados Unidos, como o The Washington Post e Big Local News. Qualquer jornalista por construir suas próprias coleções de documentos, fotos e arquivos diversos: eventos, fatos, nomes de fontes, instituições e locais registrados são identificados pela IA da plataforma e organizados de forma inteligente graças ao aprendizado de máquina da plataforma.

Uso da IA e aprendizagem de máquina juntos

Conforme o Google, esses dois conceitos, quando trabalhados de forma conjunta, geram respostas mais eficazes para as buscas feitas na plataforma, com maior índice de acerto. A tecnologia faz uma espécie de triagem automática após a sincronização de conteúdos e marca as referências conforme os termos buscados, inclusive em áudios ou folhas de papel escritas à mão — algo bem comum no cotidiano do jornalista, diga-se de passagem.

Os dados são organizados automaticamente por nome dos envolvidos, organizações e localizações (Imagem: Captura de tela/Canaltech)
Os dados são organizados automaticamente por nome dos envolvidos, organizações e localizações (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

Em vez de vasculhar um a um os arquivos ou usar o velho mecanismo de busca por palavras-chave, o sistema vale-se do algoritmo inteligente da pesquisa do Google e das informações vinculadas a ele para entregar com mais precisão o que se procura. A gigante afirma que o sistema consegue transformar PDFs digitalizados em texto, ler imagens, indexar e-mails e outros formatos de arquivos diretos do Google Drive.

Além do português, a análise dos materiais pode ser feita em outras línguas, como o inglês, o espanhol, o francês, o italiano e o polonês. Para começar a usar, é só fazer o login com a sua conta Google e subir arquivos para a nuvem.

Conforme a empresa, o Pinpoint já foi usado em texto investigativos, como o relatório do USA Today sobre 40.600 mortes relacionadas ao COVID-19 em lares de idosos, o Reveal’s Look sobre o "desastre de teste" do COVID-19 nos centros de detenção da Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), bem como um artigo do Washington Post sobre a crise de opioides.

Fonte: Canaltech

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