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Inteligência artificial descobre 2.000 novas estrelas "bebês" na Via Láctea

Daniele Cavalcante

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Leeds usou inteligência artificial (IA) para descobrir milhares de novas estrelas na Via Láctea. O mais empolgante é que elas podem fornecer pistas sobre a formação da nossa galáxia, além de tudo.

Sistemas de IA têm sido cada vez mais utilizadas na astronomia. Não faz muito tempo que cientistas usaram técnicas de aprendizado de máquinas para detectar lentes gravitacionais, por exemplo, e, há pouco mais de dois anos, astrônomos usaram inteligência artificial para mapear 6 mil crateras na Lua.

Agora, pesquisadores usaram um sistema semelhante para analisar imagens coletadas pelo observatório Gaia, lançado pela Agência Espacial Europeia (ESA) em 2013 com o objetivo de criar um mapa 3D da nossa galáxia. Depois de aplicar técnicas de aprendizado de máquina aos dados, eles encontraram mais de 2.000 novas estrelas “bebês”, que os cientistas chamam de protoestrelas.

Dentre essas estrelas, apenas 100 já haviam sido catalogadas até então, mas elas já forneceram enormes dicas sobre como os objetos celestes se formam. Com as novas descobertas, essa compreensão poderá ser ainda mais ampliada.

Mapa da Via Láctea criado pelo Gaia contendo o posicionamento de quase 1,7 bilhão de estrelas (Imagem: Divulgação/ESA)

Miguel Vioque, pesquisador que liderou o estudo, afirmou que as novas tecnologias foram combinadas com as maneiras tradicionais de pesquisa e de mapeamento da galáxia. Para ele, esse método “híbrido”, por assim dizer, está “revolucionando nossa compreensão da galáxia”.

O foco da pesquisa foram estrelas Herbig Ae/Be - uma classe de estrelas jovens que pertencem aos tipos espectrais A e B e ainda não entraram na sequência principal, estando envoltas em nuvens de gás e poeira. A massa dessas estrelas é pelo menos o dobro da massa do Sol, e elas contribuem para o surgimento de novas estrelas.

A equipe de Viogue reduziu os dados coletados pelo Gaia para um subconjunto de 4,1 milhões de estrelas que provavelmente conteriam os protoestrelas que eles estavam procurando. A ferramenta de IA digitalizou os dados para criar uma lista de 2.226 objetos que provavelmente eram protoestrelas Herbig Ae/Be. Daí, bastou validar as descobertas analisando 145 das estrelas identificadas, medindo suas luzes em observatórios na Espanha e no Chile.

Os resultados mostraram que a ferramenta de IA poderia prever com precisão quais estrelas seriam do tipo Herbig Ae/Be. De acordo com a equipe, essas novas estrelas podem mudar a maneira como os cientistas estudam a galáxia e, com o tempo, elas ajudarão a entender como a Via Láctea foi formada.


Fonte: Canaltech