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Integração de IA com negócios levanta debate sobre futuro do trabalho

Wagner Wakka

O presidente da Salesforce, Bret Taylor, subiu ao palco do keynote inicial do Dreamforce 2019 para apresentar novidades sobre o Einstein. O assistente pessoal da companhia agora tem capacidade de reconhecimento de fala em ligações ao vivo. A inteligência artificial consegue, a partir do palco do evento, ouvir um cliente que busca alugar um carro para viagem. E, de forma automática, ela oferece opções de respostas para o atendente da seguradora.

Ou seja, a plataforma tem capacidade de ouvir o que o usuário está falando, interpretar seus desejos e devolver soluções, tendo como ferramenta a base de dados do cliente e empresa de aluguel de carros.

Este é um dos principais anúncios do Dreamforce 2019, evento da Salesforce que reúne fãs, clientes e imprensa para falar sobre as novidades de todas as companhias sob o guarda-chuva da gigante.

O Einstein Voice Assistant pode não somente ajudar um empregado a resolver um problema de cliente, mas também automatizar processos de atendimento. Ou seja, não é necessário ter uma experiência ou treinamentos gigantes para solucionar tarefas simples.

Diante disso, é na própria Dreamforce que a pergunta surge: “e aí, como fica o futuro do trabalho?”. Este é um debate que envolveu especialistas no evento em uma apresentação somente dedicada ao tema.

Uma das convidadas foi Dr. Frida Poli, co-fundadora e CEO da Pymetrics, empresa voltada a usar inteligência artificial para encontrar candidatos para vagas de empregos. Ela levanta o problema do viés em processos, o qual faz com que contratação crie ambientes menos diversos para empresas.

À direita, Dr. Frida Poli (Foto: Divulgação/Salesforce)

“Há uma certa gama de estudos mostrando que se você usa somente currículos para contratar, é menos provável que você contrate mulheres, negros e pessoas mais velhas. Todas estas desigualdades existem em nosso mundo”, aponta.

Contudo, ela lembra que é preciso ficar atento, pois tal tipo de viés também pode ser expandido para processos automatizados. “O problema com a inteligência artificial que não é construída em um âmbito ético é que vai codificar e amplificar este mesmo viés”, alerta.

Por isso, ela defende que, se por um lado a inteligência artificial pode substituir pessoas também pode ajudar a realocá-las no mercado de trabalho. Uma das propostas para isso está no Trailhead, uma plataforma em que se pode aprender sobre uma série de serviços, não só da Salesforce, mas também de companhias parceiras. O discurso, segundo Taylor é a democratização do conhecimento.

O sistema pode ser assinado por qualquer pessoa por US$ 25 (próximo a R$ 100), com acesso a uma série de cursos, alguns em português. A ideia é que, com certificação, a pessoa consiga voltar ao mercado de trabalho.


Fonte: Canaltech

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