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Instrumento que estuda matéria escura na ISS será reparado para durar ainda mais

Felipe Junqueira

A NASA quer consertar um instrumento que pode ajudar na busca por respostas sobre a matéria escura, e busca soluções criativas para uma missão de reparo que não havia sido prevista inicialmente. É que o Alpha Magnetic Spectrometer (AMS), instalado na parte externa da Estação Espacial Internacional (ISS), já ultrapassou sua vida útil — e precisa de reparos para os quais não foi projetado.

Um dos mais importantes instrumentos para entender a matéria que, segundo cientistas, compõe nada menos que 85% de todo o universo, o AMS foi instalado em 2011 e trabalhou conforme o planejado até 2014, respeitando a vida útil esperada. Porém, até recentemente ele ainda conseguia captar alguns dados, valendo bem mais que os US$ 2 bilhões que a agência espacial americana investiu nele.

Por isso, a NASA pretende estender ainda mais seu tempo de uso. Um dos principais problemas é que o sistema de resfriamento está falhando; há vários ventiladores que ajudam a manter a temperatura dentro do ideal para o trabalho, mas desde 2017 só resta um deles em funcionamento.

Ferramentas especiais para o reparo do AMS são testadas em laboratório na Terra (Foto: NASA)

O problema é que esse sistema não foi projetado para reparos. O AMS fica na parte externa da ISS, o que significa que será preciso deslocar astronautas de dentro da ISS para a parte de fora do laboratório orbital por meio de uma caminhada espacial, mas os trajes de uso externo disponíveis por lá são "grandalhões" e limitam bastante a movimentação dos astronautas.

Brian Mader, líder da equipe de caminhadas espaciais da ISS, disse que já tem quatro anos que esse reparo vem sendo planejado. E o fato de o AMS não ter sido projetado para manutenção só dificulta ainda mais o trabalho, pois não possui apoios para os pés ou corrimãos para auxiliar os astronautas. “Quando você coloca alguém em um traje grande com luvas pressurizadas e destreza limitada, isso muda completamente o jogo”, observou Mader. “É necessário projetar ferramentas e procedimentos completamente diferentes”.

Outro problema é que as ferramentas mais comuns usadas em reparos no espaço não vão funcionar no AMS, que não foi desenhado com o cuidado de permitir manutenção e possui um sistema muito mais complexo que outros instrumentos da ISS. Um dos problemas, por exemplo, é que não tem como acessar o sistema de resfriamento — por isso, um novo será instalado externamente, o que exige trabalho minucioso de cortar e religar linhas de fluído, algo nunca antes feito.

Mesmo assim, a NASA acredita que, por seu alto valor de construção e instalação, além dos inúmeros dados valiosos que a ferramenta já forneceu, vale a pena investir em todo um novo processo para consertá-lo.

Fonte: Canaltech

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